domingo, 27 de julho de 2014

Capítulo 6 - Seguindo em Frente (Cont.)

Encontrar Daniel novamente, depois do que pareceu uma eternidade sem vê-lo, fez a barriga de Enzo se contrair de nervosismo e o seu coração bater mais forte. Porém, ele manteve uma postura séria e disse:

- Oi Daniel...Bem, na verdade eu já estava indo embora...
- Espera - disse Daniel, incerto sobre como se portar - Fica um instante...eu preciso te contar uma coisa...
- Daniel...eu não sei...talvez não seja uma boa ideia!
- Eu só preciso de dez minutos! Depois disso eu juro que não vou te impedir de ir embora, se você quiser...na verdade, você pode ir embora agora, é claro, mas me promete pelo menos que você vai me dar uma chance de te contar isso outro dia!
- Nesse caso, eu prefiro que seja outro dia... - respondeu Enzo.
- Tudo bem...mas é sério né? Você vai me ligar para a gente marcar?
- Não Daniel! Eu sou um homem de palavra, eu te espero amanhã lá em casa! Não preciso te ligar, apenas apareça lá umas duas da tarde!
- Sério?! Que bom! - disse Daniel animado.
- Sim, eu te espero amanhã então!

Enzo saiu imediatamente da casa de Daniel, sentindo uma grande ansiedade em pensar que eles se encontrariam no outro dia e que ele teria, provavelmente, que ouvir aquilo que Pedro lhe contara naquele dia. Enquanto isso, Daniel, imediatamente depois de fechar a porta da sua casa quando Enzo saiu, se dirigiu ao pai:

- Pai, o que o Enzo estava fazendo aqui?
- Ah meu filho...eu o convidei aqui para conversarmos e me desculpar sobre como o havia tratado no hospital!
- Mas foi tudo bem?
- Sim, esse realmente é um bom rapaz...será que é tarde demais para vocês ficarem juntos? - disse Pedro.
- Eu não sei...talvez sim! Ele foi meu grande amor, mas não sei se isso é suficiente para eu querer que ele me perdoe... - respondeu Daniel em tom triste.
- Mas o que você quer conversar amanhã com ele, meu filho?
- Nem eu sei pai...eu queria poder abraça-lo, pegar em meu colo e depois beijá-lo como eu nunca fiz...errr...desculpa, isso te deixa desconfortável pai?
- Err...não meu filho...bem, um pouco, mas não se preocupe! Eu prefiro te ver assim, empolgado com algo!
- Tudo bem então, mas como eu estava dizendo - continuou Daniel - Eu não acho que possa fazer isso...não posso exigir isso dele...então, eu simplesmente vou pedir desculpas novamente pelo que eu fiz a ele, pelo modo como eu me portei e por ter estragado a nossa amizade! Eu vou contar o verdadeiro motivo...espero que isso seja suficiente!
- Boa sorte meu filho...mas eu acredito que o Enzo é um rapaz sensato! Ele vai lhe entender.

Assim que Enzo chegou em casa, correu para o quarto, a fim de contar tudo o que acontecera a Guilherme, o qual estava deitado em sua cama ouvindo música. Quando o rapaz viu Enzo entrar no quarto, retirou os fones de ouvido e disse:

- E ai?
- Tenho muita coisa para te contar - disse Enzo resumindo.

Enzo sentou ao lado de Guilherme na cama e lhe contou tudo o que Pedro havia lhe dito sobre a situação de Daniel e sobre o pedido que ele lhe fizera, ao que Guilherme reagiu dizendo:

- Mas você vai conversar com ele certo?
- Sim, amanhã! Aqui em casa! - respondeu Enzo - Você acha que eu deveria ter marcado outro local?
- Não...vocês vão ficar mais à vontade aqui! - enfatizou Guilherme - Não se preocupe, vai dar tudo certo!
- Eu espero que sim...mas...o que é esse certo? Nossa, eu tô tão confuso! Eu não sei mais como me sentir em relação a isso! Eu estava com raiva do Daniel, mas agora eu entendo os motivos dele e os meus sentimentos em relação a ele estão uma bagunça agora! Não quero ser precipitado e nem me machucar novamente!
- Calma Enzo! Uma coisa de cada vez! Amanhã você só precisa saber o que ele tem a dizer! Não precisa tomar qualquer outra decisão!
- Você tá certo! Mas mesmo assim eu fico nervoso!
- Pois não fique! - Guilherme puxou Enzo para o seu colo e disse: - Eu estarei aqui para te apoiar sempre!
- Obrigado Gui, mas eu acho que não vais poder fazer isso de São Paulo, certo?
- Bem, mesmo se fosse de lá eu me esforçaria...mas eu tenho uma novidade - disse Guilherme empolgado - Eu tentei transferência para a UETUP (Universidade Estadual de Tupã) e há uns quinze minutos atrás eu verifiquei o resultado...EU PASSEI!
- Gui!!! - disse Enzo pulando do colo de Guilherme - Nossa, que bom! Então você vai voltar a morar aqui?
- Sim! Infelizmente, você vai ter que me aguentar todos os dias pelo resto da sua vida! Para onde você for eu vou!
- Tudo bem, eu vou tentar conviver com isso! - disse Enzo rindo - Nossa, fiquei muito feliz Gui! Eu vou adorar ter essa sua irreverência no meu cotidiano!
- Sabe Enzo...eu senti muito a sua falta quando fui embora - disse Guilherme em tom sério, segurando a mão de Enzo - E fico muito feliz de poder te ter de novo na minha vida!
- Eu também Gui! - disse Enzo e, nesse momento, pairou um silêncio entre os dois, o qual foi quebrado por Guilherme, que beijou Enzo, porém este disse: - Não Gui...desculpa, mas eu acho que não posso mesmo fazer isso! Não me entenda mal, você está ainda mais atraente do que na época em que a gente namorou, mas eu não posso fazer isso e, sinceramente, não quero te dar falsas esperanças!
- Eu entendo Enzo - respondeu Guilherme em tom de voz baixo - Desculpa, eu não queria te deixar desconfortável...eu só...não sei o que me deu mesmo! Talvez eu deva ir embora...desculpa mesmo! - o rapaz se levantou da cama.
- Pára com isso! - disse Enzo segurando o braço do rapaz e o puxando de volta para a cama - Você não tem do que se envergonhar! É o meu sex appeal, eu sei! - os dois riram bastante do que Enzo dissera e Guilherme permaneceu na cama, deitado no colo de Enzo, que, depois de parar de rir continuou: - Mas agora é a sua vez Gui, você não me contou nada desde que chegou aqui! Só quer ficar ouvindo as coisas da minha vida!
- Ah, mas o que você quer saber sobre a minha desinteressante vida?! - respondeu Guilherme.
- Gui, não há uma parte sequer da sua vida que seja desinteressante! Agora desembucha, eu quero saber como foram esses dois anos em São Paulo sem o minha companhia!
- Ah, São Paulo é uma cidade muito boa e muito viva! Nossa, eu adorava ir para as baladas lá e você sabe como eu adoro danças né?! Mas lá também pode ser um pouco solitário sabe?! Eu me sentia um pouco só às vezes, longe da minha família, dos meu amigos...de você, do seu sex appeal! - finalizou Guilherme rindo.
- Mas você não se envolveu com ninguém desde então? - perguntou Enzo.
- Nada sério! Eu fiquei com alguns caras, mas nunca mais namorei! Nao sei, acho que estava esperando alguém tão especial quanto você!
- Desista! Não vai ocorrer! - respondeu Enzo rindo.
- Eu sei!

Os dois foram interrompidos quando Maria foi averiguar o porquê dos dois ainda não terem descido para almoçar. Guilherme aproveitou a deliciosa comida preparada por Maria e ainda ficou com Enzo pelo resto da tarde, até que por volta de sete da noite ele se despediu e foi embora. Depois disso, Enzo surfou pelos canais da televisão, até que, por volta das oito e meia da noite ele recebeu uma ligação de Pietro:

- Oi Enzo...esqueceu de mim hoje?
- Oi Pietro! - disse Enzo animado - Não esqueci de você, apenas tive um dia um pouco cheio!
- Cheio? Por que? O que você fez hoje?
- Ah, o Guilherme passou aqui e nós conversamos bastante, além disso eu tive uma conversa com o pai do Daniel...
- Como assim? Para que?
- Ah, longa história!
- Quero ouvir tudo! Passo aí em 20 minutos! - disse Pietro decidido - Vamos sair para comer alguma coisa!
- Tudo bem! Vamos sim!

Pietro buscou Enzo em casa de carro e os dois rumaram para um restaurante no centro de São Patrício, no qual Enzo novamente contou o que havia acontecido na casa de Daniel. Pietro, prontamente, disse:

- Vocês vão reatar então!
- É claro que não! - disse Enzo surpreso - Não é assim tão simples Pietro! Isso só muda o fato de que eu posso perdoá-lo por ter sido tão rude comigo, afinal eu posso de certa forma entender os motivos dele!
- Entendi...Mas você ainda gosta dele né?
- Ah, não sei Pietro...é difícil esquecer um grande amor desse jeito, mas talvez eu não me sinta mais da mesma forma! Mas, por que a pergunta?
- Bem...vou ser sincero Enzo! Você é um cara muito lindo, eu adoro o seu jeito e adoro passar o meu tempo com você! A sua amizade tem me feito muito bem e eu me sinto confortável com a minha orientação sexual ao seu lado...mas, há alguns dias, eu venho me perguntando e imaginando se o que eu sinto não é algo diferente de apenas amizade e...eu acho que...tô apaixonado por você!
- Pietro...nossa, eu nunca imaginei que você pudesse sentir isso por mim...nossa, não sei nem o que dizer...tipo, você tem sido essencial para mim todo esse tempo e eu me sinto extremamente à vontade do seu lado! Mas sempre te enxerguei como um amigo...e não estou preparado para assumir nada com ninguém agora...eu sinto muito, mas não acho que possa corresponder aos seus sentimentos!
- Não se desculpe Enzo - disse Pietro em tom sereno - Eu imaginei que dirias isso mesmo...mas eu precisava ser sincero contigo! Caso você não sinta o mesmo pelo Daniel e se um dia você achar que está preparado para um relacionamento, eu quero que você saiba que eu posso ser uma opção!
- Pietro...eu adoraria poder gostar de você assim! Mesmo! Você é uma pessoa tão incrível e amável, que seria uma honra poder ser seu namorado, mas por enquanto eu não posso mesmo!
- Tudo bem, relaxa! Eu só não quero que algo mude entre nós por causa disso!
- Nada vai mudar!
- Que bom! Agora eu tenho outra coisa para te contar...
- Pois conte! Quero saber de tudo!
- Eu e o Guilherme ficamos ontem!
- O quê! Como você não me contou isso logo?! Mas e aí, conta mais!
- Ah, ele é muito atraente e dança muito mesmo, como você disse, então acabou rolando! Mas nós dois gostamos de outra pessoa e decidimos que ficaríamos só na amizade mesmo! Mas ele é quente, isso não pode ser negado!
- Muito! Ele me conquistou assim que eu o conheci e nós começamos a namorar logo em seguida! Eu me sentia muito sortudo porque um cara tão gato abriu mão de curtir a vida do ensino médio para ficar com alguém tão simplório como eu! Ele poderia ter quem ele quisesse fácil!
- Eu imagino! Mas ele sabia o que estava fazendo, porque você não é simplório! Aposto que ele viu esse algo especial que você tem, que conquista qualquer pessoa! Sr. Carisma!

Pietro deixou Enzo em casa por volta as onze da noite. Quando chegou, o rapaz prontamente foi para o quarto e deitou para refletir, como ele sempre fazia. Em sua mente, vieram três figuras: Daniel, o seu ex-namorado que até pouco tempo parecia um canalha sem coração, mas que agora se mostrara alguém com problemas emocionais que estava extremamente arrependido de como se portara e, por mais que Enzo detestasse admitir, ainda exercia grande atração sobre ele; Guilherme, o seu outro ex-namorado, que havia feito parte de uma fase muito boa da sua vida e que agora retornara para ficar na cidade e que se mostrara uma pessoa bem mais sensível e madura do que antes; e por fim Pietro, um grande amigo que se tornou o seu porto seguro e que agora expressara o desejo de ser bem mais do que isso na vida de Enzo. Diante disso, a seguinte pergunta pairava na cabeça do rapaz: Devo seguir em frente ou voltar para aquele que tinha sido o seu grande amor? E se for seguir em frente, deveria escolher um grande e verdadeiro amigo ou o amigo que já foi um grande amor?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

What Happens Next (What Happens Next)

What Happens Next (What Happens Next), 2011


Paul (Jon Lindstrom) é um empresário aposentado que recebe uma linda cadela de presente de sua irmã Elise (Wendie Malick). Este presente, totalmente inesperado, acaba sendo um caminho que o leva a conhecer Andy (Chris Murrah), um bonito rapaz que começa a fazer parte da sua nova rotina e com quem ele vai descobrir novos sentimentos.

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domingo, 20 de julho de 2014

Capítulo 5 - Revolução: A Homorevolta (Cont.)

Passaram-se dois dias até que William a Raul se convencessem de que era seguro procurar algum lugar para passar mais do que alguns minutos descansando. Nós havíamos corrido e caminhado por dentro da densa floresta e eu, com certeza, não sabia onde estávamos. Hugo, surpreendentemente, parecia bastante orientado:

- Nós não podemos seguir por esse caminho! Ainda estamos longe da fronteira de Naquim e Conde Rafael deve estar patrulhando as estradas principais!
- O que sugere então Hugo? Eu sinto muito, mas eu estou perdido!
- Eu também! E isso é algo difícil, porque já andamos muito por Naquim! E quanto a você Raul?
- Eu sei onde estamos...mas também não sei o que fazer agora! Nós fugimos sem qualquer suprimento e Naquim se tornou um reino muito pobre desde que Conde Rafael começou as "caçadas", de modo que nem sei se valeria a pena sairmos da floresta e nos arriscarmos a sermos pegos em outro vilarejo, porque não sabemos onde há suprimentos!
- Isso não é bom...mas você tem alguma ideia Hugo?
- Nós podemos seguir aquele rio que vimo há alguns metros atrás, então chegaremos até Finnel...este era um vilarejo perto do meu, onde Conde Rafael estabeleceu uma base, então ainda deve ter suprimento lá!
- Você é louco Hugo?! Por que iriamos em direção a uma base de Conde Rafael?!
- Essa é a nossa opção mais viável...ou iremos morrer de inanição! Além disso, essa é uma das poucas bases nas quais eu nunca vi muito trânsito de pessoas.
- Eu acho que essa é a opção mais viável meu amor!
- Mas você sabe que ele me conhece!
- Por que Conde Daniel conheceria um mero camponês como você?!
- Err...é somente um modo de dizer Raul!
- Não...Ele conhece você! E eu quero saber o porquê!
- Calma Raul!...Pessoal, eu acho que teremos que contar a verdade, ou não conseguiremos cooperar para sobreviver!
- Desculpem-me!
- Não se preocupe meu amor! Isso ia ter que acontecer algum dia, então é até melhor que seja agora, porque talvez eles cooperem conosco para te proteger!
- Por que eu deveria proteger ele, especificamente?...Você não é um camponês, certo?
- Não Raul...olha, nós vamos explicar tudo...
- ENTÃO EXPLIQUE LOGO!
- NÃO GRITE COM O MEU IRMÃO! Eu vou explicar tudo, mas quero deixar muito claro que você nos tratava como bem queria dentro daquele acampamento, então se você não se comportar eu vou te deixar incapacitado de dizer qualquer outra coisa!...Veja bem, o meu querido irmão aqui é o filho do Rei Otávio, de Heliópolis, este é o namorado dele, o único camponês de verdade, do vilarejo de Luminus, e nós somos oficiais da guarda pessoa do pai de Felipe.
- Vocês mentiram para mim?! Eu os acolhi e vocês simplesmente mentiram para mim?! Por que?
- É simples Raul, me diga o que você acha de Heliópolis?
- É um reino soberbo no qual todos são contra os casais homoafetivos! Eu odeio aquele lugar!
- Aí está a sua resposta! Nós não poderíamos dizer a verdade sem sermos odiados logo de primeira, então preferimos omitir nossas reais identidades e mostramos a você como poderíamos ser úteis! Pode dizer o que quiser, mas nós realmente contribuímos muito quando o acampamento ainda contava com pouquíssimas pessoas!
- Isso é verdade...mas eu não gosto de mentiras!
- Ninguém gosta Raul...mas foi necessário!
- Mas o que dois casais como vocês faziam em Heliópolis! Aquele lugar está aliado a Conde Rafael! E já matou mais homossexuais do que qualquer outro lugar!
- Não é bem assim Raul, o meu pai realmente condenava o homossexualismo até algum tempo atrás e realmente tirou algumas vidas ao longo dos anos, mas não tem qualquer participação nessas "caçadas" de Conde Rafael! Inclusive este é o motivo de estarmos aqui, já que tivemos que fugir de Heliópolis, pois Conde Rafael queria me executar com o suposto aval do meu pai, que na verdade era contra isso e arquitetou a minha fuga, junto com os seus fiéis oficiais, que aqui estão.
- Espera, então o Rei Otávio era contra isso?
- Sim! Bem, ele nunca seria a favor das "caçadas" e também passou a não ser contra o homossexualismo...bem, o que eu posso dizer? Ter um filho nessa "situação" pode mudar uma pessoa e....eu acho que ele estava me protegendo o tempo todo!
- Como assim?
- Veja bem, o meu pai me exilou quando descobriu que eu era homossexual e eu o odiei por fazer aquilo comigo...mas eu tenho refletido sobre isso...talvez ele não tivesse tanta escolha como eu pensava e estivesse me protegendo de Conde Rafael...Ele não me executou e acho que não poderia me deixar livre sem que isso chegasse ao conhecimento de Conde Rafael, então preferiu me exilar...o que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, porque eu encontrei o Bernardo! Mas pensando sobre o meu pai, eu acho que o odiei sem saber que ele estava fazendo o melhor por mim!
- Nossa, eu não imaginava que Rei Otávio era assim...eu achei que ele fosse um ditador, que caçava os homossexuais! Mas então por que ele se aliou a Conde Rafael?
- Bem, isso é uma coisa de família! A minha mãe, que era a favor das relações homoafetivas, tinha um grau de parentesco com o Conde Rafael, por isso o reino dele sempre teve relações boas com Heliópolis, mas agora o Conde acha que tem direito a metade de Heliópolis, agora que a minha mãe morreu!
- A sua mãe morreu? Eu sinto muito...ela realmente era uma ótima pessoa...eu conheço várias pessoas de confiança que afirmaram que ela era uma pessoa generosa e solidária com o seu povo!
- Ela era tudo isso sim! E muito mais! Mas agora preciso que você me responda, ainda vamos seguir como um grupo já que você sabe da verdade?
- Eu acho que sim Felipe...eu realmente não aprecio mentira, mas acho que posso entender os motivos de vocês...eu sei que pareço irracional e às vezes ajo assim, mas eu também posso ser compreensivo!
- Nesse caso, agora precisamos resolver se seguremos o plano do Hugo, que tem dois grandes riscos: encontrar a base cheia de pessoas, com as quais não poderemos lidar e, especificamente para o Felipe, encontrar com o Conde Rafael, que já o conhece!
- Felipe...se você realmente estiver disposto a enfrentar os riscos, eu acho que essa é a nossa melhor aposta!
- Eu acho que posso fazer isso! Eu me sinto bem mais confiante atualmente, do que há alguns dias! Então vamos seguir esse plano, antes que definhemos aqui!
- É assim que se fala discípulo! Vamos logo!

Nós voltamos até o ponto em que um rio de águas rasas cortava a floresta, então o seguimos em sua margem esquerda em direção ao norte. Após meio dia de caminhada, nós chegamos a uma área em que a floresta se tornou menos densa, então Hugo disse:

- Vamos parar aqui e planejar a nossa entrada. Eu acho que eu e Raul, que somos nativos daqui, deveríamos ir primeiro, então, conforme a situação, nós voltaremos para buscá-los.

Ninguém discordou do plano, seja por assentimento ou por falta de energia. Bernardo, William, Tomás e eu nos sentamos encostados a troncos de árvores e esperamos pelo que pareciam ter sido horas, até que Hugo voltou dizendo:

- Pessoal, tenho uma notícia boa: não existem muitas pessoas no local! Mas também tenho uma ruim: parece que Conde Rafael trouxe os nossos amigos para cá e os está mantendo prisioneiros em porões do vilarejo!
- Isso quer dizer que ele pode voltar a qualquer momento, certo?
- Sim...
- O que você acha meu amor?
- Nós precisamos arriscar! E eu não tenho medo, já que vocês estão ao meu lado!
- Então vamos lá cunhado!

A visão do vilarejo foi ainda mais deprimente do que eu havia imaginado, haviam casas com janelas e portas quebradas, abandonadas, derrubadas e/ou com pessoas tristemente sentadas na varanda. A alegria e a vida haviam sido tiradas daquele vilarejo há muito tempo e as pessoas estavam apenas vivendo uma semivida ali, na qual não lhes faltava suprimento, como em outros lugares, mas todos os dias eles viam pessoas sendo executadas ou levadas para a execução em outro lugar.
Hugo nos conduziu pelo vilarejo até uma estalagem, onde Raul estava a nossa espera. Conforme tínhamos sido instruídos, nós nos declaramos "caçadores de homossexuais" e estávamos a serviço de Conde Rafael na área. Desse modo, o estalajadeiro nos deu quartos para descansarmos e nos ofereceu comida, o que aceitamos de bom grado.
Depois disso, nos reunimos no meu quarto para planejarmos os nossos próximos passos, os quais foram divididos em grupos de tarefas, que era como Raul gostava de agir: eu e Bernardo iriamos nas casas dos moradores, para conseguirmos mais informações sobre o que vinha acontecendo no vilarejo; Tomás e Raul iriam em busca de armas e outros utensílios nas casas abandonadas; e Raul e Hugo iriam procurar a casa que abrigava as pessoas do nosso acampamento que haviam sido capturadas. Ficamos de nos encontrar em duas horas na estalagem, para fugirmos antes de Conde Rafael chegar, com todos as armas, utensílios, suprimentos e pessoas nós conseguíssemos.
Eu e Bernardo fomos em várias casas, em muitas das quais não fomos permitidos entrar, porém, de repente, enquanto andávamos por uma pequena rua, uma mulher aparentando meia idade nos chamou:

- Ei, vocês!
- O que foi senhora? Algum problema?
- Eu conheço vocês! Vocês estavam no acampamento!
- Como a senhora sabe sobre o acampamento?
- Por que o meu filho foi para lá...ele vinha me visitar às vezes...eu o deixei no acampamento e, antes de voltar para cá, eu lembro de ver vocês dois!
- O seu filho é homossexual senhora?
- Shh! Não repita essa palavra aqui! Entrem, depressa!

Nós entramos, então a mulher continuou:

- O que vocês estão fazendo aqui? É perigoso para alguém como vocês estar aqui! Conde Rafael tem vindo muito aqui nos últimos dias!
- Eu sei senhor...mas precisávamos comer e coletar suprimentos!
- Eu tenho o que vocês precisam aqui! Afinal, ser um "vilarejo das caçadas" trouxe uma espécie de riqueza a esse vilarejo nesse sentido! Apenas peguem tudo e vão embora, por favor! Eu não quero que aconteça a vocês o que aconteceu com o meu filho!
- O que aconteceu com o seu filho senhora? E por que a senhora não foi para o acampamento com ele?
- Ele...ele foi levado ontem...para uma "caçada"...e eu nem pude me despedir dele! Vejam bem, ele achou que eu estaria mais segura aqui, se mantivesse em segredo que tinha um filho homossexual, e realmente estou segura, mas jamais serei feliz novamente!
- Senhora...eu lamento a sua perda...mas junte-se a nós então...pegue os seus suprimentos e nos acompanhe, porque depois nós iremos vingar a morte de todas as pessoas que, como o seu filho, foram mortas por motivos tão fúteis!
- Eu não posso! Para mim a vida não tem mais sentido! Eu vou tirar a minha vida hoje, mas antes quero lhes ajudar a sair daqui, venham...

Ela empacotou vários suprimentos para nós e, em seguida, nos mostrou uma passagem no porão, dizendo:

- Este vilarejo já foi invadido diversas vezes, devido à sua localização, então o povo daqui aprendeu a se unir para lutar! Estas passagens dão acesso a quase todas as casas da rua e se ligam a diferentes locais dentro do vilarejo. Sigam por elas e tomem cuidado!
- Muito obrigado senhora! Mas qual o seu nome? e o do seu filho?
- Meu nome é Maria e o meu filho se chamava Paulo.
- Novamente muito obrigado Maria! Eu prometo que vamos vingar a morte do Paulo!

Nós caminhamos pelos túneis por alguns minutos e percebemos que tudo estava muito escuro porque, provavelmente, todos no vilarejo haviam obstruído as passagens das suas casas com algum móvel no porão. Porém, em certo momento, nós nos deparamos com uma fresta de luz e a seguimos, depois empurramos os pedaços de tábua que obstruíam a caminho e seguimos para o andar de cima, onde encontramos Raul e Hugo em uma cena que nos deixou desconfortáveis: estavam sem roupas em uma cena bastante quente.

- Como vocês dois chegaram aqui?
- Raul, vocês não deveriam estar procurando pelos reféns?
- Bem...sim, nós procuramos! Mas não achamos...
- Duas palavras: continue procurando! Vamos, nós não temos tempo! Vistam-se e depois nos sigam até o porão!
- Por que ao porão?
- Hugo, não discute! Vamos, apressem-se!

Nós voltamos ao porão e aguardamos Hugo e Raul descerem, então explicamos sobre as passagens que Maria tinha nos mostrado. Depois disso, entramos na passagem de onde tínhamos vindo e procuramos por novas "portas", até que encontramos outro feixe de luz e fizemos o mesmo que havíamos feito anteriormente: quebramos as tábuas, adentramos a casa e procuramos por elementos úteis. Fizemos isso mais cinco vezes, porém, na sexta vez encontramos algum bem mais valioso: cerca de vinte dos nossos amigos, que estavam amarrados a cadeiras e amordaçados. No andar de cima haviam dois guardas, que foram facilmente abatidos, visto que não esperavam que alguém surgisse do porão. Depois, nós libertamos todos os prisioneiros e, segundo eles, havia um grupo maior e mais bem guardado na casa ao lado, porém, de acordo com a nossa recém-adquirida perícia, não havia entrada pelo porão. Era isso que Maria queria dizer com quase!
Nós planejamos, junto com todos os prisioneiros, uma estratégia para entrar na casa ao lado de uma maneira que os guardas fossem neutralizados o mais rápido possível e não houvesse nenhum dano. No fim, concluímos que não teria como calcular tudo, então teríamos que arriscar.
A nossa investida foi bem-sucedida, embora algumas pessoas, incluindo Hugo, tenham ficado levemente feridas. No final conseguimos neutralizar dez guardas e libertamos mais trinta prisioneiros, dentre eles Fábio e Gustavo, que eram, assim como Raul, os líderes do nosso acampamento, o que aparentemente justificava a disparidade na segurança para aquela casa.
Depois de libertarmos todos os prisioneiros, voltamos à casa em que os primeiros foram encontrados e seguimos pelos túneis, confiando no senso de direção de Bernardo, o que era a nossa única alternativa, pois um grupo tão grande de pessoas chamaria muita atenção nas ruas. Depois de algum tempo, Bernardo bateu em algumas tábuas, as quais quebraram e revelaram um porão que, segundo Bernardo, deveria pertencer à estalagem. Ele estava certo, porém combinamos com os prisioneiros para que permanecessem nos túneis, onde Raul e Hugo distribuiriam racionalmente os suprimentos que havíamos encontrado. Enquanto isso, eu e Bernardo subimos até a estalagem, onde quase fomos flagrados pelo estalajadeiro, e então encontramos Tomas e William no quarto, os quais haviam acabado de chegar de sua bem-sucedida busca por armamento e suprimentos.

- Onde estão Hugo e Raul?
- Calma William, eles estão bem, mas preciso te explicar algumas coisas!

Bernardo explicou sobre as passagens entre as casas e sobre o nosso contingente de ex-prisioneiros, então Tomás disse:

- Bem, então vamos munir todos com as armas que achamos! Depois vamos tomar esse vilarejo!
- Apoio plenamente Tomás! Vamos tomar esse vilarejo como a nossa primeira base de resistência ao Conde Rafael!

Dito isso, nós caminhamos em direção ao porão. Tomás e William foram na frente, porém, quando eu e Bernardo íamos entrar, nós ouvimos uma voz familiar dizendo:

- Olá sobrinho! Que surpresa sem igual é encontrar-lhe aqui nesse fim de mundo! Quem diria, um nobre entre aquele monte de homossexuais sem-teto!

Eu me virei em direção à porta da estalagem, onde o meu tio estava localizado, então disse, com uma fúria no olhar:

- Ouça bem isso: Você vai perecer Conde Rafael! E vai em breve!

Depois disso, eu corri para o porão, fechei e tranquei a porta atrás de mim, então gritei para que todos corressem para os túneis. Naquele momento, eu jurei para mim mesmo que seria a última vez que fugiria de Conde Rafael, pois em breve eu iria obter a vingança que havia prometido para Maria.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Protect Me From What I Want (Protect Me From What I Want)

Protect Me From What I Want (Protect Me From What I Want), 2009


Neste curta, Saleem (Naveed Choudhry) é um indiano vivendo com a familia em Leeds (Inglaterra), que, aparentemente, está em plena descoberta sexual. Em uma noite ele conhece Daz (Elliott Tittensor), um charmoso rapaz com quem ele, um pouco hesitante, passa a noite e que lhe ajuda a lidar com os sentimentos e a confusão que a homossexualidade lhe trouxe.

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Arizona Sky (Arizona Sky)

Arizona Sky (Arizona Sky), 2008


Jake (Eric Dean) e Kyle (James McCabe) cresceram juntos na zona rural do Arizona e se tornaram melhores amigo. Eles estabeleceram um vinculo emocional muito forte no passado, o qual nunca foi esquecido por Jake, mesmo depois de ter se mudado com seus pais para a Califórnia e depois de longos anos sem ver Kyle. Quando Jake percebe que sua vida se resumiu ao trabalho e não era feliz, ele resolve voltar para a sua cidade natal pela primeira vez em 15 anos e rever Kyle, o que reaviva o vinculo remanescente entre eles.

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Capítulo 2 - A Lenda do Homem de Fogo

05 DE AGOSTO DE 2018, 09:35

Neste dia, Oliver estava completando o décimo oitavo aniversário, o que significava que ele havia atingido a maioridade no seu país. Isso despertou a curiosidade de Ethan, visto que nos Estados Unidos essa questão é diferente:

- Se eu ainda estivesse no meu país, eu ainda seria considerado uma "criança"! - disse Ethan, refletindo - Outra coisa que me faz adorar esse país!
- Com a minha presença tudo fica muito melhor - disse Oliver, brincando - Pode dizer!
- Oliver, definitivamente, você nunca ganharia um concurso de humildade - disse Gabriela, rindo.
- Pelo menos eu já sou maior de idade! - retrucou Oliver, enquanto bagunçava o cabelo da garota.
- Não se preocupe, ano que vem é a minha vez!
- Bem, pelo menos você é menor de idade aqui e no seu país - disse Cho, entrando na conversa - Eu já sou maior de idade aqui desde o ano passado, mas quando visito os meus pais eu ainda sou uma "criança", como disse o Ethan.
- Ainda bem que na Austrália é a mesma coisa! - Pontuou Sophie.
- No México também! - Ratificou Alba.
- No meu país também! - Disse Themba.
- Em Belize também! - Exclamou Marco.
- Tudo bem, então eu e Cho somos os únicos "babies" aqui em seus países, mesmo depois dos 18 anos de idade! - disse Ethan, rindo.
- Gente, perdoem o meu sentimentalismo hoje, mas eu quero agradecer a todos vocês pela companhia nesses, pelo menos, dois anos que nós somos uma grande família!
- Ah, que fofo Oliver - disse Ethan apertando a bochecha do rapaz - Agora só falta você abraçar a todos nós!
- O primeiro vai ser você! - Oliver abraçou Ethan, que era um pouco mais alto que ele - Obrigado por ser o meu irmãozão!
- Ah irmãozinho! - Ethan retribuiu o abraço e fez um breve cafuné na cabeça de Oliver - Você está realmente sentimental hoje né?!
- Olha que lindo gente! Agora é a vez de todo mundo! - exclamou Gabriele enquanto s juntava aos outros em um abraço grupal.

Esta era uma rotina frequente na casa dos Fletcher, os oito jovens elementais estavam sempre reunidos na maior parte do tempo e, apesar de todos serem bastante unidos entre si, ao mesmo tempo tinham seus próprios grupos de afinidade. Oliver tinha se aproximado, principalmente, de Gabriela, desde que ela chegara, de modo que esta formava um trio quase inseparável com ele e Ethan. Naquele dia, especificamente, todos tinham ajudado os pais de Oliver a darem uma festa surpresa ao rapaz. Desse modo, naquela tarde, Ethan e Gabriela levaram Oliver para um passeio no "Birmingham Museum & Art Gallery, como um suposto presente ao rapaz, que adorava arte, e, apesar de ter ido diversas vezes ao local, sempre estava disposto a ir novamente, o que tornou fácil a tarefa da dupla. Enquanto caminhavam pelo local, Gabriela comentou:

- E aí Oliver, o que você quer fazer primeiro com a sua maioridade?
- Que tal ir para um bar? - disse Oliver rindo.
- É sério?! - Disse Ethan em tom exaltado.
- Eu só estou brincando! Você me conhece!
- Conheço sim, por isso me surpreendi! Desculpa... - Disse Ethan, com um meio-sorriso.
- Você fica lindo sem graça Ethan! - disse Gabriela rindo.
- Obrigado Gabi... - disse Ethan ainda sem jeito - Eu preciso ir ao banheiro, eu já volto.
- Você acha mesmo isso que você disse? - perguntou Oliver depois que Ethan estava fora de vista.
- Sim! E digo mais, não sou só eu que acho! A senhorita "meu pai é dono de uma grande empresa de turismo" também acha!
- É, eles têm estado bastante juntos esses últimos dias né? Será que está rolando alguma coisa?
- É difícil dizer, o Ethan está cada dia mais bonito e ela é a típica "it girl", então acho que eles formariam um belo casal, mas não sei se já rolou alguma coisa! O que você acha?
- Não sei, mas espero que não!
- Por que? Você não gostaria que, se o Ethan fosse namorar, pudesse ser alguém que a gente conheça?
- Err...claro, mas...eu não sei - respondeu Oliver, nervoso.
- O que foi? Está com medo de perder o irmãozão?! - perguntou Gabriela, rindo e cutucando Oliver.
- É, pode ser isso! - respondeu Oliver rapidamente - Ele nunca namorou, então estou mal acostumado de ter a atenção dele só para mim. Isso é maio egocêntrico, né?
- É verdade, ele nunca namorou né? Isso é estranho, ele tem todo o potencial para ser um "pegador", mas não parece muito interessado em se envolver com ninguém! - disse Gabriela e, quando percebeu que Ethan estava voltando, mudou de assunto: - Aquela obra ali me faz refletir sobre a minha vida sabe!
- Você refletindo? Não consigo conceber isso! - disse Ethan rindo.
- Ah, cale-se Ethan! - disse Gabriela ao dar um soco no braço de Ethan.
- Ai Gabi! Isso doeu!
- Nossa, vocês parecem um daqueles casais de adolescentes, com essas brincadeiras!
- Até parece que você não gosta delas! - Gabriela respondeu prontamente - Além disso, eu jamais formaria um casal com o Ethan, ele é quase um irmão para mim e, para completar, é muito chato!
- Você me ama daqui até a lua! - respondeu Ethan - E quanto a você irmãozinho, nós temos o mesmo tipo de brincadeiras, e aí? Somos um casal de adolescentes gays?
- O que? Não...err...fala sério! Que tipo de ideia é essa?! - disse Oliver na defensiva.
- Vocês são hilários sabia! - disse Gabriela rindo - Um, quase sempre, não entende o outro e não leva na brincadeira quando tem que levar! Relaxa Oliver, para que essa tensão toda!
- Não tem nenhuma tensão! Vamos andar mais, o que é melhor! Chega de conversa!
- Tudo bem - disse Gabriela começando a caminhar - Mas só mais uma coisa...Ethan, posso te perguntar uma coisa pessoal?
- Claro! Eu não tenho segredos para vocês!
- Que bom! Então me responda, por que você nunca teve uma namorada?
- Ah, é só isso? Essa é fácil! Simplesmente porque eu estou esperando a pessoa certa e não estou com nenhuma pressa!
- Sério, e como seria essa pessoa certa?
- Eu não sei, uma pessoa companheira, segura de si, forte, decidida, independente, bonita, sensível, altruísta, enfim, várias qualidades desejáveis em uma pessoa.
- E você nunca encontrou alguém assim?
- Para falar a verdade sim, mas eu chamo essa pessoa de "irmãozinho"... - disse Ethan olhando para Oliver, que rapidamente corou.
- Err...obrigado irmãozão!
- O Oliver é sensível?! Não creio!
- Ei! Agora eu fiquei chateado!
- Desculpe! Eu só estou brincando! Mas, agora que você disse Ethan, o Oliver realmente tem ótimas qualidades, mas também nunca namorou ninguém! - Constatou Gabriela - Qual a sua defesa Oliver?
- Não tenho nenhuma defesa...talvez também esteja esperando a pessoa certa, mas, na verdade, eu não penso muito nisso...
- Nossa, vocês dois são bem estranhos! Eu só tenho dezessete e já queria um namorado!
- Por que você é audaciosa! - disse Oliver rindo.
- Toooodos os dias da minha vida! - confirmou Gabriela.

Depois de uma tarde andando pelo BMAG, os três voltaram para casa e Oliver realmente teve uma grande surpresa com a grande festa que a sua "grande família" preparara para ele. Havia muita comida, o que era muito bom para ele e a festa durou a noite toda, permeada por brincadeiras e jogos após o jantar. A primeira brincadeira fora proporcionada por Alba, na qual cada um deveria se jogar de certa altura, enquanto ela os levitava no ar. A elemental do ar tinha se tornado incrivelmente boa em levitar objetos cada vez mais pesados. Depois, o próprio aniversariante proporcionou uma pista de gelo para patinar. Por fim, Gabriela proporcionou uma caça ao tesouro em times, dentro de uma floresta que ela mesma criara, com uma variedade de plantas enorme e alguns animais, trazidos por Marco.
No fim da noite, a maioria dos elementais e os pais de Oliver se retiraram para seus aposentos, porém, Ethan permaneceu conversando com Sophie em um canto da sala, enquanto Oliver e Gabriela conversavam em outro. Pouco tempo depois, Oliver e Gabriela foram para seus respectivos quartos. Quando Ethan, o único que dividia quarto com Oliver por escolha própria, foi se deitar, o aniversariante fingiu que estava dormindo.
Oliver estava se perguntando, havia alguns dias, por que o fato de Ethan ter se aproximado tanto de Sophie lhe incomodava tanto, porém ainda não tinha achado uma resposta convincente. A garota tinha sido a quarta pessoa a formar o grupo de elementais, chegando quase na mesma época que Themba, em 2013, portanto eles já tinham quase cinco anos de convivência e ela nunca fez nada para lhe provocar aversão. De alguma forma, vê-los conversando no final da festa lhe fez sentir um tipo de ressentimento, mas como ele sabia que era inexplicado, preferiu fingir que estava dormindo e, com esses pensamentos em mente, acabou de fato adormecendo.
No dia seguinte, Oliver foi acordado abruptamente por Ethan, que lhe cutucava e dizia:

- O que foi Ethan... - disse Oliver, sonolento.
- Você precisa ver isso!

Oliver acompanhou Ethan até a sala, onde havia a smartTV com uma tela enorme da família Fletcher, na qual havia uma repórter comunicando que um sujeito desconhecido estava usando "um show pirotécnico" para assustar as pessoas de Los Angeles. Quando Oliver viu o sujeito, prontamente, olhou para Ethan e disse:

- É Ele?
- Sem dúvida! Mas, por que se revelar desse modo justo agora?
- Eu não sei, mas eu acho que essa é a oportunidade que nós estávamos esperando!
- Oportunidade de que? - perguntou Marco, curioso - E quem é essa figura aí na TV?
- Ele é o cara de quem nós falamos! O tal Saulo!
- Então, esse é o cara que "matou" o seu Imortal Ethan? - disse Cho, enquanto entrava na sala.
- Sim...e eu acho que essa é a oportunidade de colocarmos o que nós aprendemos em prática! O que vocês acham?
- Você quer dizer, tipo, tentar lutar contra esse cara para colocarmos nossas habilidades em prática? - Themba perguntou enquanto se sentava no sofá.
- Exatamente Themba! Mas não só isso, esse cara matou um dos nossos elementais e talvez possa ser a chave para nós descobrirmos o que realmente aconteceu, pois eu não acho que um Imortal possa ser morto de verdade!
- Você tem razão Oliver! Eu acho que nós já estamos prontos para resolver esse problema! Esse cara é a nossa melhor chance em anos!
- Eu vou a qualquer lugar sob a liderança de vocês! Se vocês acham que nós estamos prontos para lutar, então assim será!
- Eu fico lisonjeado Gabi, mas eu quero deixar claro que eu não posso obrigar ninguém a ir comigo! Sintam-se livres para escolher.
- Você sabe que sempre pode contar comigo, então não tem nem o que escolher.
- Eu vou, definitivamente.
- Desculpem, eu me atrasei para alguma reunião? - disse Alba, com ar sonolento, o que despertou risadas nos demais.
- Você é sempre atrasada Alba! - disse Gabriela em tom de brincadeira - Olha, nós estamos decidindo se vamos pegar esse cara que está aparecendo aí na TV e dar uma lição nele!
- Dar uma lição em um cara? - disse Alba empolgada - Nem preciso de mais detalhes, eu estou dentro!
- Eu também estou dentro!
- Nem preciso pensar duas vezes! Vamos lá!
- Eu também!
- Bom, então se estamos todos de acordo, vamos sair daqui a duas horas rumo a Los Angeles! Vão arrumar as suas coisas, enquanto eu e o Oliver vamos falar com nossos pais!

Assim, os elementais foram arrumar as coisas para a grande viajem que viria pela frente, enquanto Oliver e Ethan permaneceram no sofá sala. Depois de um tempo, Oliver se levantou do sofá e disse:

- Eu vou arrumar logo as minhas coisas!
- Oliver, espera - disse Ethan, segurando o braço do rapaz - A gente pode conversar?
- Ah, claro! O que foi?
- Por que você fingiu que estava dormindo ontem? - disse Ethan em tom sério.
- Eu não fingi...o que você quer dizer?
- Ah Oliver, não tente mentir para mim! Eu sei quando você está dormindo, porque seu padrão respiratório é completamente diferente e ontem você estava, definitivamente, fingindo! O que eu quero saber é, por que?
- Eu...eu só não queria conversar...
- Mas, por que? A gente sempre conversa irmãozinho!
- Eu não sei Ethan, é complicado!
- Tem a ver com a Sophie?
- O que? Não! Não...
- Irmãozinho, você está com ciúme da Sophie?
- Eu? Não! Que ideia é essa?
- Então o que é? Você nunca agiu assim comigo em seis anos!
- Desculpe, eu não devia agir assim! Prometo que não vai mais acontecer!
- Está tudo bem irmãozinho, eu não estou chateado, estava apenas preocupado com você! Independentemente do que você esteja sentindo - Ethan abraçou Oliver - Lembra que eu te amo e que você está sempre em primeiro lugar para mim, tudo bem?
- Tudo bem! Eu também te amo irmãozão!

Depois disso, ambos foram fazer suas malas e comunicar ao Sr. e Sra. Fletcher os planos de viajem dos elementais. Os pais de Oliver não ofereceram qualquer resistência à ideia, embora demonstrassem preocupação. Desse modo, uma grande aventura envolvendo Saulo, o assassino de Flamus, estava à espera dos elementais em Los Angeles.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Hoje Eu Quero Voltar Sozinho)

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (Hoje Eu Quero Voltar Sozinho), 2014

Leonardo (Guilherme Lobo) é um adolescente cego que busca sua independência, a despeito superproteção das pessoas. Concomitantemente, ele precisa lidar com novos sentimentos quando a sua amizade com Gabriel (Fabio Audi), um jovem recém-chegado na cidade, leva-o a descobrir mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

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