sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Capítulo 3 - Lembranças do Passado

Mesmo depois que todos aqueles que estavam no meu quarto se asseguraram de que eu estava bem e se dirigiram para seus respectivos afazeres, Bernardo ainda continuou comigo, segurando a minha mão e me olhando sem dizer nada. Depois de algum tempo, ele se deitou a meu lado em minha cama e me envolveu em seus braços, beijou o topo da minha cabeça e disse:

- Eu fiquei muito preocupado com você...há muito tempo que eu não me sentia tão bem ao lado de alguém...se acontecesse alguma coisa...

Conforme ele proferia cada palavra eu sentia que ele me segurava cada vez mais forte e fiquei lisonjeado por saber que já significava tanto pra ele. Nesse momento, não tive nenhuma outra alternativa senão corresponder o seu carinho com a mais pura sinceridade. Então lhe disse:

- Bernardo...eu preciso lhe contar algo...
- O que é? você não está se sentindo bem de novo?
- Não...Calma...olha, eu estou bem! Mas preciso lhe contar algo que ocorreu durante o meu desmaio na cozinha...eu..eu já lembrei como eu vim parar aqui!

Eu lhe contei tudo. Comecei pelo o evento fatídico com o servo e finalizei com o nosso encontro na Floresta do Leste. Conforme eu lhe contava os fatos do meu passado, não podia deixar de me preocupar com a possibilidade dele se decepcionar com a forma como eu usava as pessoas ao meu redor para obter prazer. Porém, preferi ser o mais transparente possível na minha explicação, para que eu sentisse que merecia pelo menos um pouco do carinho e da atenção que aquele rapaz me direcionava.
Durante a minha explicação, Bernardo continuou na mesma posição em que estava no inicio da conversa e, em alguns momentos, afagava o alto da minha cabeça, com as suas mãos, que apesar de grandes, tinham um toque suave, que me trazia uma sensação de paz e segurança. Quando eu finalizei a explicação ele me puxou mais ainda em direção ao seu peitoral e disse:

- Você está seguro agora! Não se preocupe!
- Mas você não acha que seu pai vai sugerir que, agora que já lembrei a minha origem, eu volte para lá? eu não sou mais um desmemoriado que vocês acolheram aqui...eu sei de onde eu vim...mas eu não quero....

Quanto mais eu pensava na possibilidade de ter que ir embora daquela casa, ficava mais nervoso e perdia a linha de raciocínio sobre o que eu falava. Bernardo repousou uma mão sobre o meu rosto, o que me fez parar de falar, então, olhando fundo em meus olhos, ele disse:

- Felipe, eu nunca vou te deixar ir embora dessa casa sob nenhuma hipótese que não seja a sua própria vontade. Então, desde que você não queira ir embora agora que lembrou a sua origem, não há com o que se preocupar. Além disso, eu já lhe disse que todos aqui em casa gostam muito de você, como você pode ter percebido hoje durante o café da manhã.
- Então você realmente acha que eu não preciso ir embora por causa disso?
- Absolutamente não! Há algum tempo que você deixou de ser só um estranho que eu achei perdido na Floresta do Leste. Se você não fosse meu namorado, talvez meu pai até te adotasse!

Depois da última frase nos rimos bastante. Quanto a mim, a risada estava mesclada com alívio por poder compartilhar sem preocupação a minha origem e felicidade por ter encontrado alguém tão especial como Bernardo. Depois de cessarem as risadas, Bernardo continuou o que estava dizendo.

- Felipe, reafirmo que você não se preocupe quanto a isso. Mas queria pedir pra que a gente possa compartilhar o que você me falou com a minha família, pois eu prefiro que seja dessa maneira, sem segredos ou informações ocultas entre aqueles que fazem parte dela.
- Se você diz que não devo me preocupar eu não vejo problema em compartilhar isso com eles. Mas você pode me dar um tempinho pra me recuperar? ainda estou com dor de cabeça.
- É Claro! Eu vou ter que ir trabalhar agora, mas volto à noite e, se você já estiver melhor, podemos fazer isso.
- Tudo bem! Até depois!

Bernardo ainda deu mais um beijo na minha testa e então se levantou e andou até a porta. Quando estava quase saindo do quarto, ele se virou em minha direção e proferiu as seguintes palavras:

- Felipe...Eu te amo!

Depois de dizer isso ele, efetivamente, saiu do quarto. Aquelas palavras me atingiram de uma forma tão intensa, que eu não consegui responder antes que ele tivesse deixado o aposento, porém, isso me deixou estranhamente contente, pois percebi que ele não havia dito aquilo pra ouvir que eu também me sentia daquela forma, mas simplesmente para me dizer o que estava sentindo.
Devido à forte dor de cabeça que eu estava sentido, acabei dormindo boa parte do dia. Quando acordei Bernardo já havia retornado para casa e estava ao meu lado, me observando enquanto eu dormia. Já estava tarde da noite quando eu acordei e ainda me sentia bastante indisposto, mesmo depois de ter descansado bastante, então perguntei a Bernardo se ele poderia ficar comigo em eu quarto naquela noite. Consecutivamente à sua resposta afirmativa, eu me aproximei ainda mais dele para abraça-lo e nos organizamos em uma posição confortável para podermos dormir. A sensação de estar com ele era tão boa e calmante que rapidamente eu caí no sono.
Na manhã seguinte eu acordei e Bernardo não estava mais ao meu lado, então tomei banho e desci para tomar café da manhã, imaginando se ele já estaria sentado à mesa, tal como eu confirmei quando cheguei à cozinha. Como esperado todos indagaram sobre o meu estado de saúde e relataram o quão ficaram preocupados na manhã anterior quando eu desmaiei. Então, aproveitando a conversa eu resolvi compartilhar com eles o que eu recordara.


- Gente...queria a atenção de vocês um instante pra contar algo que aconteceu ontem...eu já contei ao Bernardo e hoje queria compartilhar com vocês, que eu considero como a minha família...
- O que aconteceu Felipe? Você está bem?
- Estou sim Manoel, não é nenhum problema de saúde...eu vou explicar...

Eu contei toda a história para o restante da família, mas fui cuidadoso em omitir detalhes que eu não omitira quando contei a mesma história a Bernardo e, com certeza, ele entendia o porque. Porém, posteriormente eu viria a perceber que em ambos os casos eu, inocentemente, esqueci revelar o nome do lugar de onde eu tinha vindo, sendo que isto seria de grande relevância em momentos vindouros. 



domingo, 25 de agosto de 2013

Capítulo 3 - Amizade x Amor (Cont.)

Antes que Enzo pudesse dizer qualquer coisa, Frida o abraçou e começou a falar, em meio a alguns soluços:

- Enzo, eu briguei com a minha mãe e não quero ficar em casa! Posso ficar aqui na sua casa hoje?
- Frida... - Enzo estava ainda mais sem reação, mas ao ver a amiga precisando de ajuda se recompôs e respondeu ao seu pedido - entra, vamos conversar com os meus pais - enquanto caminhavam em direção à cozinha, ele estava se preparando mentalmente para o que viria depois.

- Obrigada Enzo...- quando chegou à cozinha e viu Daniel sentado à mesa com os pais de Enzo, Frida ficou surpresa - Daniel! o que estás fazendo aqui?
- Oi Frida! - Daniel respondeu de forma intermediária entre surpresa e nervosismo.
- Mãe...pai...vocês podem vir aqui comigo um instante? - disse Enzo - eu já volto Frida.

Quando os pais de Enzo chegaram à sala de estar, ele explicou toda a situação a eles e pediu que eles agissem como se Daniel estivesse apenas, por um acaso, jantando com eles naquele dia. Além disso, comentou com eles sobre a situação na casa de Frida e sobre a possibilidade dela dormir ali naquela noite.
Maria e Roberto concordaram com todos os pedidos de Enzo, embora tenham feitos muitas perguntas e tenham dado muitos conselhos ao filho, os quais seriam reforçados em outro momento, segundo eles. Quando voltaram à cozinha, Frida estava conversando com Daniel, que estava visivelmente desconfortável com a situação em que se encontrava.

- Voltamos gente! - disse Enzo ao adentrar a cozinha - Frida, eu conversei com meus pais e eles concordaram que durmas aqui essa noite, sem problemas!
- Muito obrigada Dona Maria e Seu Roberto! - disse ela agradecida.
- De nada minha filha - disse Maria - e, se quiseres, podes jantar com a gente.
- Agradeço de novo, mas eu já jantei.
- Queres que eu te leve ao quarto pra descansares? - disse Enzo.
- Se não tiver problema, eu gostaria sim.
- Sem problema! eu já volto - Enzo olhou diretamente pra Daniel quando disse isso, primeiramente para verificar como ele aparentemente estava e, em segundo lugar, para confortá-lo e assegurar que ele não fosse embora.


Enzo a conduziu até o seu quarto, onde havia um colchão no qual sempre dormiam os amigos que ele levava para dormir em sua casa e, enquanto ele organizava as cobertas para que ela pudesse se deitar, Frida indagou:


- Por que o Dan estava jantando com vocês hoje?
- Ah...- Enzo pensou bem antes de responder - ele estava aqui em casa desde que saímos da UFTU, então minha mãe convidou ele para jantar.
- Hum, entendi! Mas ele fica aqui com frequência?
- Frida, estás querendo perguntar alguma coisa específica? - disse Enzo percebendo o tom da conversa.
- Bem, não necessariamente, mas hoje a Juliana me disse que tem certeza de que o Dan está com outra pessoa, e ainda disse que saberias me contar mais a respeito disso. Então estou perguntando, sabes alguma coisa sobre a pessoa com quem ele está?
- Olha Frida, como eu já te disse, sou amigo dos dois, então não é justo que eu comente contigo algo que ele não te contou. Acho melhor que perguntes a ele ou descubras sozinha - ele não queria mentir pra amiga, mas não havia maneira de contar sobre o relacionamento com Daniel naquela noite - desculpa mesmo!
- Tudo bem Enzo, eu entendo o teu ponto de vista.
- Que bom! olha, eu tenho que descer e falar com o Daniel, porque acho que ele já deve estar indo embora. Se não estiveres dormindo quando eu voltar, a gente pode conversar sobre o que aconteceu na tua casa, se quiseres.
- Tá bom! vai lá.


Quando retornou à cozinha, Enzo não encontrou ninguém, então caminhou até a sala onde encontrou seus pais e Daniel, que ao vê-lo, prontamente, se levantou do sofá e se despediu de Maria e Roberto. Quando estavam na porta da casa, Enzo disse:


- Amor, eu sinto muito! Não queria te deixar sozinho e estragar nosso jantar, mas eu tinha que ajudar a Frida! - Ele estava aparentemente muito nervoso, tanto que falava apressadamente.
- Amor... - Daniel colocou a mão no ombro de Enzo - relaxa, o jantar foi ótimo e eu não estou chateado com você! Mas é melhor eu ir embora, porque está ficando tarde e você precisa ir conversar com a Frida. Amanhã a gente se vê!
- Tá bom amor! Obrigado por compreender - disse Enzo bem mais calmo - me liga antes de dormir!
- Pode deixar - Daniel se despediu com um abraço e um beijo na bochecha - te amo!


Depois disso, Enzo ainda parou na sala para dar mais explicações aos seus pais, que estavam preocupados com a situação criada pela chegada de Frida.

- Meu filho, quando vocês irão contar a verdade para ela? - disse Maria - afinal ela é sua amiga e merece saber a verdade. 
- Mãe...é complicado, a Frida ainda gosta do Daniel e eu não sei como ela vai reagir a isso. De qualquer modo, hoje não tem condições de contar a ela sobre isso, mas eu vou conversar com ele amanhã pra nós decidirmos como faremos isso.
- Boa sorte meu filho - disse Roberto - espero que dê tudo certo nesse processo, eu imagino como deve ser complicado.
- Muito obrigado pai! Me desculpem pelo transtorno e por fazer vocês simularem algo, eu sei que isso foi errado, mas eu não sabia o que fazer.
- Nós estendemos filho, não se preocupe - garantiu Maria - agora vá ver como está a menina.
- É verdade! Boa noite para vocês! - disse Enzo, enquanto se retirava da sala.


Quando chegou ao seu quarto, Enzo encontrou Frida deitada, envolta pelas cobertas, então achou que ela estivesse dormindo. Quase imediatamente, o seu celular tocou e ele viu que era Daniel ligando, então atendeu e conversou com ele por alguns instantes. Depois de terminar a conversa, Enzo foi escovar os dentes, alheio ao fato de que a amiga estava apenas deitada enquanto ele estava conversando com Daniel e de que ela pegara seu celular para ver a última ligação quando ele foi ao banheiro. Assim, quando ele voltou do banheiro, ela estava lhe esperando com o celular na mãe e uma pergunta:


- Enzo, por que a última ligação no teu celular é pro Daniel, sendo que estavas tratando essa pessoa por "amor"?
- Frida... - Enzo se viu em uma situação sem saída e estava muito nervoso - eu não sei o que te dizer...

- Podes começar me dizendo por que a Juliana me disse que viu o Daniel te beijando?
- Frida... - ele ainda não conseguia fizer nada, pois estava tudo ocorrendo exatamente como não queria.
- Enzo, eu não quis acreditar na Juliana, disse que ela estava mentindo! Mas essa ligação foi o suficiente para me mostrar que ela estava certa! O que está acontecendo? o Daniel é gay? por que me traístes dessa forma? há quanto tempo vocês vêm escondendo isso?
- Frida, não é como parece! - Enzo finalmente se pronunciou - sim, eu e o Daniel estamos juntos, desculpa não ter te contado, mas...
- Enzo... - Frida o interrompeu - quer saber, não me interessam as suas explicações! Independentemente de qualquer coisa, eras meu amigo e tinhas o dever de me contar sobre o que estava acontecendo, eu fiz papel de idiota nessa história!
- Me deixa explicar Frida....
- Não Enzo - ela estava irredutível - eu agradeceria muito se a gente pudesse simplesmente dormir, pois eu não tenho para onde ir hoje mesmo, mas eu não quero mais falar contigo! Nossa amizade acabou!


Enzo não conseguiu fazer Frida ouvi-lo, então resolveu deixá-la dormir, esperando que, no dia seguinte, ela fosse mais razoável com ele. Porém, quando acordou, Frida já tinha ido embora, deixando apenas um bilhete:

Enzo,
A nossa amizade acabou
Eu não consigo perdoar o fato de teres mentido pra mim da forma como fizestes.
Agradeço por teres me deixado dormir na tua casa, mas, por favor, não me procura mais, pois eu não quero conversar contigo, muito menos ouvir as suas explicações.


C
onforme Enzo lia o bilhete, uma sensação de mal-estar muito forte o dominou, pois ele acabara de perceber que, naquela situação, o confronto entre uma grande amizade e um grande amor tinha tido um perdedor: a amizade!

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Capítulo 3 - Lembranças do Passado

Finalmente eu sentia que havia estabelecido uma ligação afetiva com alguém, uma pessoa que me amava e a quem eu retribuía o sentimento de uma forma intensa. Para completar esse momento especial da minha vida, eu tinha sido aceito por toda a família do meu amado.
Porém, de repente, algo aconteceu bem no meio desse ponto crucial da minha história. Enquanto estava, orgulhosamente, de pé bem em frente ao Bernardo, comecei a sentir as coisas e as pessoas ao meu redor se afastando, e, então, havia somente escuridão.
Repentinamente, me vi transportado para um lugar familiar, ao qual eu não desejava voltar tão cedo: minha casa. Estranhamente, eu estava presenciando cenas da minha vida que já haviam ocorrido, tal que eu parecia estar assistindo à minha trajetória como um mero expectador e a cena que eu presenciava era a última de que eu tinha lembrança, a qual retratava justamente o dia em que meus pais descobriram a minha orientação sexual.
Eu lembrava de toda a minha história antes de chegar à casa de Bernardo, só não conseguia recordar como eu tinha chegado até a floresta da qual ele me resgatou, porém, não queria dizer àquela família, que me acolhera tão bem, de onde eu tinha vindo, pois tinha medo que eles preferissem me levar de volta pra casa.


Os meus pais são o Rei e a Rainha de Héliopolis, um reino formado, predominantemente, de planícies e com um clima ensolarado. Eu sou filho único, portanto, meus pais sempre esperaram que eu me casasse com alguma princesa de outro reino para aumentar a área de abrangência do seu reinado através do estabelecimento de alianças.
Porém, desde cedo eu já me interessava por pessoas do meu mesmo sexo e, inclusive, tive várias experiências de descoberta com príncipes de outros reinos com os quais tinha contato e, até mesmo, com alguns súditos, conforme apareciam oportunidades.
Conquanto eu sempre tivera muita experiência com diversas pessoas do reino, meus pais não tinham conhecimento das minhas aventuras, pois os príncipes não hesitavam em preservar a sua privacidade e evitar escândalos, bem como os súditos não  ousavam revelar meu segredo por medo de represálias.
Portanto, havia um aparente equilíbrio entre a manutenção da minha imagem como um príncipe que futuramente se casaria com uma princesa, tal como os meus pais queriam, e a satisfação dos meus desejos mais profundos através das minhas aventuras. Mas, certo dia, eu fui descuidado, quando conduzi um dos meus súditos para um dos quartos existentes em nosso castelo, pois nós adormecemos e, provavelmente, algum servo alertou meu pai, que apareceu no quarto e presenciou a última cena de que me lembro antes de parar densa Floresta do Leste: o seu filho nos braços de um homem, e pior ainda, de um súdito.


Surpreendentemente, depois dessa cena não houve uma lacuna, como em todas as vezes que eu tentava lembrar como eu tinha terminado naquela floresta, os fatos continuaram a ocorrer como se a minha mente tivesse recuperado as informações que eu pensava ter esquecido. Depois do meu pai presenciar a cena mencionada, houve o seguinte diálogo:

- Felipe...!
Depois de me recompor, segui para o quarto dos meus pais, que já estavam me esperando. Minha mãe, que estava aos prantos, e o meu pai com um semblante irado me deram duas opções para resolver a situação na qual eu me encontrava: eu poderia acusar, na frente de todo o reino, o súdito com o qual eu havia dormido de ter me assediado e condená-lo ao exílio; ou eu teria que deixar o reino e nunca mais voltar, pois havia desonrado a minha família e aquele era o único modo de me redimir com os meus antepassados.

- Calma pai, eu posso explicar o que está acontecendo aqui!
- Meu filho, não há nada o que explicar,  a situação é óbvia! Como você ousa trazer este homem para dentro do nosso castelo e se deitar com ele em um dos nossos aposentos?! Você não respeita os seus pais? Você não respeita  a si mesmo?
- Pai...
- Não ouse proferir qualquer palavra! Eu não quero ouvir nada! Você me desonrou, se perverteu e, com certeza, lançou a sua alma em profunda perdição! O que você fez foi inaceitável e, a parti do momento em que decidistes seguir esse caminho de perdição, automaticamente, assumistes as consequências que isso trará! Recomponha-se e me encontre em meus aposentos o mais breve possível! E quanto a este servo, será banido deste reino para sempre, junto com toda a sua família, e se ousar voltar meus cavaleiros estarão autorizados a lhe tirar a vida!

O reinado do meu pai sempre foi conhecido em toda a extensão do nosso reino como o mais pacífico de todos, pois ele, dificilmente, punia os delitos com enforcamentos ou outra forma de punição, tal como ocorria em outros reinos. Porém, devido a alguns preceitos religiosos, o meu pai não admitia em suas terras a prática de homossexualismo, por considerar uma ofensa grave, portanto, eu, como o filho do Rei deveria servir de exemplo para a coibição dessa prática.
Eu nunca tinha agido de forma injusta em toda a minha vida, de modo que nunca deixaria que alguém fosse exilado sob uma falsa acusação, já que aquele servo não me seduzira, pelo contrário, havia sido seduzido por mim a me acompanhar àquele aposento onde tínhamos sido flagrados. Dessa maneira, eu tive que deixar meu reino, dizer adeus aos meus pais e partir rumo ao desconhecido, sem destino ou perspectiva. Meus pais me muniram com suprimentos pra alguns dias, um cavalo e algumas moedas.
Para piorar a minha situação, no meu segundo dia de caminhada eu fui abordado por alguns sujeitos no meio de uma estrada, os quais roubaram todos os itens doados pelos meus pais e a minha vestimenta, que foi trocada por outra de menor qualidade. Os sujeitos me golpearam na cabeça, amarraram-me e me transportaram por um longo caminho, até que me deixaram no meio da Floresta do Leste, onde eu fui encontrado por Bernardo.
Depois desta última cena, onde eu recordava o momento em que Bernardo havia me encontrado na floresta, eu, repentinamente, vi tudo ficar embaçado. Depois disto, comecei a ouvir várias vozes indiscerníveis em meio à total escuridão, sendo que as vozes foram, progressivamente, ficando mais inteligíveis e o escuro começou a desaparecer, dando lugar à imagem da face de Bernardo, porém, desta vez, ele não estava me salvando na floresta, mas sim debruçado sobre mim chamando pelo meu nome.
Quando consegui organizar e processar as informações ao meu redor, percebi que estava deitado na minha cama, dentro da casa de Bernardo, enquanto a família toda estava em meu quarto, preocupada comigo e aflita para saber se eu estava bem, pois eu acabara de desmaiar durante o jantar. Nesse momento, entendi que eu acabara de recordar o caminho que levara até aquela família, então comecei a me questionar se deveria ou não lhes dizer a verdade, pois até aquele momento eu era um rapaz que não tinha lugar para ir, o qual foi acolhido pela caridosa família, porém, agora eu já sabia de onde tinha vindo e, pior ainda, sabia que era um exilado.



sábado, 27 de julho de 2013

Capítulo 3 - Amizade x Amor (Cont.)

O fim do ano se aproximava e o romance entre os dois rapazes se fortalecia cada dia mais, pois, embora ambos estivessem bastante ocupados com os estudos para as provas finais, o namoro estava amadurecendo em muitos aspectos. Uma prova disso é que, enquanto estavam sentados em um banco dentro do campus da UFTU após saírem da aula, Daniel revelou a Enzo uma ideia que teve após este lhe contar sobre a conversa que tivera com a sua mãe:

- Eu estou considerando a ideia de oficializar o nosso namoro para os seus pais! o que me dizes disso?
- Amor, você tem certeza que quer fazer isso? - apesar de estar muito contente com a possibilidade, Enzo imaginava se Daniel realmente estava preparado.

- É claro amor! - Daniel deu uma entonação diferente à voz e, enquanto olhava profundamente nos olhos de Enzo, prosseguiu - eu já lhe disse que não tenho nenhum receio, desde que você esteja ao meu lado para me dar suporte, eu te amo, o que nós estamos construindo enquanto relacionamento é uma coisa linda e pura e, além disso, os seus pais, diferentemente dos meus, são duas pessoas muito compreensivas e já te aceitam quanto à tua sexualidade...quer mais motivos ou eu posso parar?
- Acho que é suficiente! - Enzo riu e depois prosseguiu com um tom mais sério - amor, não me entenda mal, eu estou realmente muito feliz com a tua decisão. Só estava um pouco incerto se você estava preparado para isso, mas já que você está tão confiante e decidido, eu te apoio! Vou conversar com os meus pais hoje e marcar um dia para eles conhecerem o meu novo namorado! Eles vão ficar muito surpresos, acredite!
- Eu imagino que sim! - os dois riram.

Depois desta breve conversa, os dois tiveram que ir para as suas respectivas casas, pois as próximas semanas iriam ser repletas de entregas de trabalhos e artigos, apresentação de seminários e realização de provas escritas.
Quando chegou em casa, Enzo prontamente conversou com os pais sobre a possibilidade de um jantar para ele apresentar o novo namorado e eles. Os pais de Enzo sempre foram bastante compreensivos desde que o filho lhes contou sobre a sua orientação sexual e sempre aprovaram a sua postura quanto aos namoros, bem como os namorados que havia escolhido, então não apresentaram qualquer tipo de oposição à sua proposta.

No outro dia, enquanto ia de carro para a UFTU, Enzo, bastante empolgado, contou a novidade a Daniel, que, apesar do frio na barriga inicial, também se mostrou muito feliz com a novidade e, visivelmente, bastante ansioso.

- Que bom que os seus pais concordaram com a ideia, agora é só esperar para ver como eles, ou melhor, o seu pai vai lidar com a novidade de que eu seja o dito cujo namorado.
- Não se preocupe amor, vai dar tudo certo! A minha mãe disse que pode ser na sexta-feira, ela vai preparar uma coisa bem especial, e, como ela já sabe quem é, aposto que vai ser lasanha! - os dois riram, já que aquela era a comida preferida de Daniel e a mãe de Enzo sabia disso.

- Sexta é perfeito, ainda tenho dois dias para me preparar emocionalmente! - Daniel riu e continuou - e tomara que seja lasanha mesmo, porque ninguém prepara uma melhor que a sua mãe!
- Isso é verdade! ela se supera nesse quesito!

Daniel parou o carro alguns quarteirões antes de chegar à universidade, para que pudesse beijar o namorado, sem ter que se preocupar com os expectadores.


- Eu te amo! - disse Daniel depois de beijar Enzo - e espero que tudo dê certo nesse jantar, pois os seus pais são pessoas importantes pra você e eu quero que eles saibam que eu também te quero bem!
- Daniel, você é um sonho que se torna realidade sabia! - Enzo sorriu, tocou no rosto de Daniel e olhou bem fundo em seus olhos - os meus pais já sabem que me fazes feliz, pois és o melhor amigo que já encontrei, mas agora, além de ser meu melhor amigo, és a pessoa com quem eu quero dividir os meus dias...os meus segredos...as minhas felicidades e, se necessário, as minhas tristezas. Eu também te amo!


Enquanto os dois estavam no carro, conversando e se beijando, não perceberam que alguém do outro lado da rua os havia reconhecido. Esta pessoa era Juliana, uma amiga de Frida, que já tinha visto os dois na "Snack" em outra noite, porém, desta vez ela presenciara o beijo que eles haviam dado. Alheios à sua presença, poucos minutos depois, os dois rumaram para a UFTU e cada um foi para a sua respectiva sala de aula.
Quando a sexta-feira chegou, Enzo estava ansioso para que seus pais conhecessem o atual namorado, e aguardava impacientemente pela chegada de Daniel às oito horas, como tinha combinado com ele. Antes disso, ele estava na sala de estar com seus pais, conversando antes do tão esperado jantar.


- E então filho, como você conheceu esse rapaz? - perguntou o pai de Enzo, alheio identidade do dito cujo rapaz.
- Bem, pai, digamos que nos conhecemos da UFTU.

- E, há quanto tempo vocês se conhecem?
- Faz uns dois anos pai.

Nesse momento, a campainha toca e Enzo vai até a porta atender, intuindo que fosse Daniel e, por isso, com o coração acelerado. Quando ele abre a porta, a sua intuição se mostra certa e ele convida Daniel a entrar, sendo que, o pai de Enzo, ao ver quem chegara, pergunta:


- O Daniel, também veio conhecer o teu namorado?
- Pai, na verdade... - Enzo foi interrompido por Daniel.

- Seu Roberto...na verdade, eu sou o namorado do Enzo - ele respirou fundo depois de falar isso.
- Mas como assim Daniel? - Roberto estava visivelmente surpreso - és gay? todo esse tempo que vens aqui em casa, estavas namorando o Enzo?
- Calma pai, vamos por partes! - disse Enzo - acho melhor a gente sentar e nós vamos lhe contar toda a história.
- Tudo bem meu filho.

Os quatro sentaram nos sofás para conversar a respeito da história de Enzo e Daniel, o que demorou vários minutos, pois além de explicar sobre a fase em que Daniel se encontrava a respeito de sua sexualidade, foi necessário esclarecer a progressão da amizade entre os dois para o atual namoro.


- Então estás te descobrindo sexualmente Daniel? - perguntou Roberto - e o teu namoro com a Frida, como ficou esse assunto?
- Bem, seu Roberto, eu e o Enzo sempre fomos muito próximos, desde que entramos na UFTU, e, ao longo do tempo eu percebi que eu nutria por ele um sentimento diferente de amizade - Daniel, constantemente, olhava para Enzo enquanto falava - e, embora eu nunca tenha me envolvido com um rapaz, eu tive certeza de que queria me relacionar com ele, tal como estamos fazendo agora. Mas, antes de começarmos a ter qualquer tipo de envolvimento, eu terminei meu namoro com a Frida, pois não queria machucá-la. Espero, sinceramente, que vocês dois aprovem isso!

- Daniel - disse o pai de Enzo em resposta - desde que começastes a frequentar esta casa, eu sempre tive uma boa impressão de ti e acho que sempre fostes uma boa companhia para o meu filho, eu não vejo nenhum problema no fato de vocês se relacionarem. Me desculpa a exaltação quando chegastes, mas é que eu imaginei que vocês pudessem ter nos escondido essa relação, e, desde que o Enzo nos contou sobre a sua orientação sexual, nós deixamos muito claro que não há necessidade de nos esconder coisas sobre esse assunto, mas já que a situação é como vocês contaram eu fico mais tranquilo.
- Realmente Daniel - disse a mãe de Enzo - és um ótimo rapaz e tenho certeza que vais tratar o nosso filho como ele merece, então, da minha parte, não vejo problema algum também.
- Obrigado seu Roberto e dona Maria, prometo que vou tratar o Enzo como ele merece e ser um bom namorado pra ele.
- Mas, me fala Daniel - indagou Maria - como os teus pais reagiram quando contastes sobre a tua sexualidade?
- Bem, dona Maria...na verdade, eu ainda não contei pra eles - Daniel ficou fisionomicamente triste - e, sinceramente, não sei como fazer isso. Eles têm um posicionamento contrário ao homossexualismo.
- Falando nisso, precisamos que isso ainda seja um segredo! - exclamou Enzo - pois, já que o Daniel ainda vai contar para os pais dele sobre esse assunto, ninguém mais pode saber. Ele se propôs a contar pra vocês, porque ele sabe o quão compreensivos vocês são comigo e, também, porque ele achou melhor que vocês soubessem com quem eu estou envolvido atualmente.
- Pode contar com o nosso apoio Daniel! -  disse Roberto - da mesma forma como damos apoio ao nosso filho, também apoiamos que possas ter uma orientação sexual diferente do que os outros esperam, se essa for a tua vontade. Além disso, queremos que você confie em nós para conversar sobre esse assunto.
- Com certeza, meu filho, pode contar com o nosso apoio - complementou Maria - e não hesite em frequentar a nossa casa como namorado do Enzo, pois eu sei que, pra vocês que querem manter isso em segredo, é difícil se relacionar indo somente a locais públicos.
- Muito obrigado tios, o apoio de vocês é muito importante pra mim! Pra gente, na verdade, pois, realmente, temos essa dificuldade, desde que começamos a namorar, e, sabendo que vocês aprovam nosso namoro, fico mais tranquilo e seguro.
- Bem, agora que já deixamos tudo esclarecido, acho que podemos jantar, certo? - disse Enzo, que já estava faminto.
- Claro filho, vamos lá! - disse Maria, enquanto se dirigia para a cozinha - eu preparei uma coisa especial pra vocês! Lasanha!
- Que bom mãe!
- Eu adoro a sua lasanha dona Maria! é a melhor que existe! - exclamou Daniel.
- Eu não te disse! - sussurrou Enzo para Daniel.



O jantar ocorreu de maneira tranquila e os quatro continuaram conversando sobre diversos assuntos enquanto se deliciavam com a lasanha preparada por Maria. Porém, em certo momento, a campainha tocou durante o jantar e, quando Enzo foi até a porta verificar, encontrou a última pessoa que ele esperava ver naquela noite. Ele ficou, momentaneamente, sem saber o que fazer, pois, enquanto Daniel, o seu namorado, estava jantando com os seus pais em uma noite planejada para apresentá-lo a eles como tal, Frida, a ex-namorada de Daniel e sua melhor amiga, estava na porta da sua casa.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Top - 16: Lista de Filmes Sobre Romance Gay


Esta é uma atualização da minha lista pessoal de filmes sobre romance gay. São filmes que, na minha opinião, independente da qualidade da produção, conseguem expressar bem o amor entre dois homens.

Bem, alguns deles mostram amor adolescente, por que eu adoro a descoberta desse amor genuíno que acredito poder surgir de maneira inesperada. Então lá vai:




1- Shelter (De Repente Califórnia), 2007

O protagonista Zach (Trevor Wright) vive a descoberta de um romance com o irmão mais velho do seu melhor amigo, Shaun (Brad Rowe),o qual regressa a casa para procurar inspiração para um novo livro. Zach é habituado a uma vida onde omite as suas próprias necessidades em favor de cuidar de sua irmã mais velha, Jeanne (Tina Holmes) e o seu sobrinho, Cody que o considera um verdadeiro pai. Shaun e Zach acabam por desenvolver uma grande amizade, mas aos poucos começam a se relacionar emocionalmente. Apesar de se sentir atraído por Shaun, Zach vai estar cheio de dúvidas e terá receios de enfrentar a sua verdadeira identidade, a sua família e amigos.





2- Beautiful Thing (Delicada Atração), 1996

No subúrbio londrino, Jamie Gangel (Glen Berry) e Ste Pearce (Scott Neal) são dois vizinhos e colegas de colégio. Ste mora com o irmão e o pai alcoólatra, que freqüentemente o espanca. Jamie mora com a mãe, que sensibilizada com os maus tratos ao vizinho, convida-o para ficar em sua casa, no quarto do filho. Mal sabe ela que daí vai surgir um caso de amor entre os dois garotos, permeado pelos delicados detalhes da descoberta do primeiro amor.





3- Trick (Truques da Paquera), 1999

Gabriel (Christian Campbell) é um escritor de musicais que não tem uma vida sexual muito agitada. Em uma noite, acaba se encantando por Mark (John Paul Pitoc), um go-go boy que vê em um bar. Coincidentemente Mark toma o mesmo metrô que Gabriel, que não não deixa de notá-lo. Surpreendentemente Mark se levanta e acaba descendo na mesma parada que Gabriel. Juntos os dois vão procurar uma forma de ficarem sozinhos. Ao longo dessa jornada se desenrola uma história cheia de situações engraçadas e interessantes, onde mesmo uma "ficada" pode se tornar algo especial.




4- Patrick Age 1.5 (Patrick 1,5), 2008

Um casal gay adota quem eles acreditam ser um bebê de um ano e meio de idade (1.5) chamado Patrik. No entanto, quando o menino chega, ele não é bem o que os dois esperavam. Houve um erro de digitação na idade do garoto e o casal recebe um jovem de 15 anos, homofóbico e com um passado criminoso. Entretanto, o que no início parece ser um conflito insolúvel, aos poucos revela-se uma sensível descoberta da amizade e do amor paterno, entre pessoas totalmente estranhas umas às outras.




5- Lucky Blue (Lucky Blue), 2007

É um curta com 30 minutos onde somos apresentados a Olle (Tobias Bengtsson) que está organizando um festival anual de música em um pacato vilarejozinho no interior da Suécia. Então chhega Kevin (Tom Lofterud) , um rapaz, que a principio dá uma idéia de grosso, fechado e mal humorado. Os dois se aproximam e se tornam amigos devido a um incidente com o pássaro (Lucky Blue) da tia de Kevin que acaba fugindo da gaiola, mas a relação evolui para algo mais, algo que os deixa confusos e cheios de dúvidas.




6- Summerstorm (Tempestade de Verão), 2004

Tobi (Robert Stadlober) e Achim (Kostja Ullmann) são dois garotos bastante populares. Amigos desde a infância, acreditam que nada seria capaz de ficar entre sua amizade. Eles estão ansiosos pelas férias de verão, quando vão ao acampamento. Quando um grupo de homossexuais chega ao acampamento direto de Berlim, Tobi fica confuso em relação à sua sexualidade e os sentimentos sobre o melhor amigo. O filme mostra o vendava de emoções que essa dúvida traz à vida de Tobi e como isso se resolve até o final do verão.




7- Get Real (Saindo do Armário), 1998

Steven (Ben Silverstone) é um adolescente, que gosta de ouvir música e vive no computador. De uma forma bem inesperada ele encontra e acaba se apaixona por Dixon (Brad Gordon), o atleta mais cobiçado pelas garotas da escola. Dixon, aos 16 anos, tem dificuldade em entender e assumir sua sexualidade. Os dois tentam levar adiante o namoro em meio a toda a pressão social do ensino médio, o que decorre em muito fatos interessantes.




8- I Think I Do ( Acho Que Sou), 1997

Há cinco anos Bob (Alexis Arquette) sente uma forte atração por Brendan (Christian Maelen), seu companheiro de faculdade. Eles eram grandes amigos e moravam na mesma república durante a faculdad, até que, no meio de uma brincadeira, Bob mostrou que estava apaixonado e Brendan fugiu. Anos depois, os dois encontram-se no casamento de uma amiga comum, no qual Brendan descobre que sempre amou Bob, pois não ninguém melhor pra se apaixonar do que pelo seu melhor amigo.




9- Weekend (Weekend), 2011

Depois de uma festa em casa com seus amigos, Russell ( Tom Cullen) dirige-se para um clube gay, onde encontra Glen (Chris New), com quem, aparentemente, teria apenas um caso de uma noite. Porém, isto torna-se algo especial e dá origem a uma história de amor pouco convencional, que ocorre ao longo do fim de semana, entre dois jovens que tentam dar sentido a suas vidas, pois, Glen tem a oportunidade de cursar artes nos Estados Unidos, o que se torna doloroso para Russel, que, inevitavelmente se apaixona por ele e não o quer deixar partir.




10- Mulligans (Mulligans), 2008

Tyler ( Derek Baynham) leva Chase (Charlie David), um amigo da faculdade, para passar as férias de verão junto com a sua família. Porém, algo que pode desestruturar toda a família acontece entre o pai de Tyler, Nathan (Dan Payne), e Chase.




11- Latter Days (Latter Days), 2003

Christian (Wes Ramsey) é um rapaz de 20 e poucos anos que vive em um condomínio em Los Angeles e adora curtir a noite. Suas conquistas sexuais são apenas para uma noitada. Elder Aaron Davis (Steve Sandvoss) chega à cidade com mais 3 missionários mórmons para se hospedar no mesmo condomínio de Chris. Esses mundos antagônicos irão se chocar trazendo graves conseqüências para ambos, considerando-se que, a partir de uma pretensiosa aposta, surge um inesperado romance.




12- Plata Quemada (Burnt Money), 2000

Angel (Eduardo Noriega) e Nene (Leonardo Sbaraglia) são dois matadores inseparáveis conhecidos no meio como "os gêmeos", além de serem amantes. Em um novo trabalho que parecia fácil, acaba ocorrendo um verdadeiro massacre e e os dois decidem fugir para o Uruguai, para evitar que sejam mortos. Lá eles se escondem em um apartamento emprestado por um mafioso local, onde esperam a chegada de novos documentos fraudados que permitam que eles viajem para o Brasil. Mas quanto mais os documentos demoram a chegar mais a tensão entre eles cresce, chegando a níveis insuportáveis que prejudicam a relação.




13- Mysterious Skin (Mistérios da Carne), 2004

Brian Lackey (Brady Corbet) é um jovem traumatizado por um lapso de tempo em sua memória aos oito anos e, perturbado por pesadelos, acredita que foi vítima de abdução alienígena. Neil McCormick (Joseph Gordon Levitt), no entanto, é aquele típico bad boy tramatizado com comportamento desviante. Os dois tiveram a mesma experiência no passado, mas reagem de modo diferente.




14- Almost Normal (Quase Normal), 2005

Um homossexual se aproximando da crise de meia-idade está cansado de ser diferente por ser gay. Ele quer ser normal. De repente ele é enviado para a época que ele estava no ensino médio. Mas desta vez, o mundo é gay e ser hétero é considerado comportamento depravado. E então outra coisa acontece. Ele conhece uma garota. E, de repente, ele novamente não se adéqua à "normalidade".




15- Do Começo ao Fim, 2009

Francisco (Lucas Cotrim) e Thomás (Gabriel Kaufmann) são meio-irmãos que, desde pequenos, se tornam grandes amigos e, quando adultos, transformam esta amizade em algo mais profundo e polêmico.




16- Boy Culture, 2006

X (Derek Magyar) é um michê de sucesso que descreve em uma série de confissões os seus confusos relacionamentos românticos com seus dois colegas de apartamento, e um velho e enigmático cliente, Gregory (Patrick Bauchau), que lhe conta uma inquietante história de amor que durou 50 anos, a qual incita o protagonista a experimentar algo que não sente há muito tempo: emoção.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Capítulo 2 - O Início de Uma Nova Vida (Cont.)

Logo quando acordei, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi o quão especial seria aquele dia se fosse possível associar a reunião de família em ocasião do aniversário de Bernardo ao anúncio de nosso namoro.
Depois de tomar banho e me arrumar para outro dia de trabalho, desci até a sala para esperar Bernardo, porém estranhei quando não o encontrei lá e mais ainda quando ele não apareceu, depois de decorrido algum tempo, então resolvi procurá-lo no seu quarto. Quando cheguei lá, bati na porta, porém não obtive resposta, de modo que resolvi abri-la, e eis que quando entrei no quarto encontro Bernardo ainda deitado, então caminhei até  a sua cama e toquei levemente nele.



- Bernardo!
- Oi Felipe...
- Aconteceu alguma coisa? estava te esperando para irmos trabalhar.
- Desculpa, não estou me sentindo bem hoje, acho que não poderei ir.
- Nossa, você realmente está muito quente, eu vou chamar alguém para providenciar um médico.
- Obrigado!

Quando toquei em Bernardo para averiguar se ele estava com febre, fiquei muito preocupado com a temperatura do seu corpo, portanto corri até o quarto do seu Manoel para avisá-lo, a fim de que ele providenciasse algum tipo de assistência para ele. Depois de algum tempo batendo na porta do quarto, ele respondeu e me acompanhou até o quarto de Bernardo, depois chamou um médico de família para examiná-lo, o qual o diagnosticou com uma virose, que necessitava de bastante repouso, boa alimentação e muito liquido, de modo que, evidentemente, inviabilizava a festa de aniversário planejada para Bernardo.Particularmente, eu fiquei frustrado com a noticia, pois queria aproveitar essa oportunidade para oficializar nosso compromisso, mas também achei interessante, pois pude ficar cuidando de Bernardo durante boa parte do dia, já que o seu Manoel levou Luíz para trabalhar com ele e as  suas irmãs levaram o avô para fazer algumas compras na cidade.
Olhá-lo daquela forma, vulnerável, me fez enxergar Bernardo de outra forma, pois foi diferente vê-lo sem todo o seu porte viril, deitado em uma cama. Para ser sincero, eu nunca fui um exímio cuidador, porém, quando o vi naquela situação, algo se mobilizou dentro de mim, de modo que a única coisa em que conseguia pensar era o quanto eu desejava cuidar para que ele se recuperasse o mais rapidamente possível.
Ao longo do dia, eu providenciei para que Bernardo estivesse bem alimentado, hidratado e confortável, além disso, aproveitei a privacidade que tínhamos naquele momento para fazer carinho e observá-lo. Definitivamente, eu não queria, nem por um segundo, estar em outro lugar que não fosse ao lado dele, pois, provavelmente, isto seria devastado, visto que estava tão apaixonado e, quanto mais eu convivia com ele, sentia-me mobilizado de tantas formas, que me faziam sentir tão bem.
Assim que a família de Bernardo chegou eu me retirei para o meu quarto, para que ninguém percebesse o nosso envolvimento, tal como ele queria, e , antes de dormir, fui ao quarto dele para desejar boa noite, depois que todos haviam saído de lá.

- Oi...como é que você está se sentindo?
- Muito melhor! Obrigado por ter ficado o dia todo cuidando de mim...eu sei que eu devo ter dormido a maior parte do tempo, mas eu adorei que tenhas passado o dia ao meu lado.
- Não há o que agradecer, eu adorei ficar tanto tempo a teu lado sem ter que me preocupar em manter nosso namoro em segredo!
- Você ainda quer me namorar depois de me ver tão mal nessa cama? mais feio do que nunca!
- Eu quero te namorar mais do que nunca Bernardo! Estou me apaixonando cada dia mais por ti!
- Que bom Felipe, eu também estou cada dia mais apaixonado, e, depois de hoje, não há qualquer dúvida de que você é perfeito para mim!
- Bem, agora eu vou te deixar descansar mais, para que amanhã você acorde ainda melhor! Boa noite! Durma bem!
- Boa noite! Durma bem você também!

Depois de sair do quarto de Bernardo, eu caminhei até o quarto de Luíz para ver se ele ainda estava acordado, para contar a ele como me sentia naquele dia, pois, eu o enxergava como um confidente, porém ele já estava dormindo, então me dirigi ao meu quarto. Como de costume, refleti sobre o meu dia e, logo depois, caí no sono.
No outro dia, quando desci para tomar café da manhã encontrei a família já reunida, incluindo Bernardo, que apresentava feições bem mais salutares, porém, eu não imaginava a surpresa que me esperava. Imediatamente após eu sentar à mesa, Bernardo se levantou e pediu a atenção de todos que estavam lá.

- Família, eu tenho um anúncio muito importante a fazer...eu tinha pensado em uma ocasião mais especial, mais ontem eu percebi que não é a ocasião em si que fará esse momento especial e sim a presença de todos que eu amo, então, sendo assim, eu queria compartilhar com vocês que eu e o Felipe estamos namorando!

Eu fiquei sem reação diante de tamanha surpresa e muito apreensivo em relação ao que o restante da família pensava sobre aquele anúncio, mas antes que eu pudesse entrar em pânico, seu Manoel se pronunciou sobre o assunto.

- Meu filho, eu sempre te considerei um rapaz inteligente, perspicaz, decidido e responsável, então eu não ouso duvidar do seu julgamento em relação a se envolver com o Felipe, que é um rapaz que acolhemos aqui e que tem se demonstrado uma boa pessoa e um rapaz de excelente caráter. Então, com certeza, vocês tem a minha benção!

As irmãs de Bernardo, Paula e Juliana, respectivamente, também se pronunciaram sobre o assunto, o que aumentou minha surpresa, pois eu nunca tinha conversado com elas, tal como fazia com Luíz, embora sempre tenha sido muito bem tratado por elas.

- Meus parabéns ao dois, eu realmente espero que dê tudo certo pra vocês! Meu irmão estava precisando de alguém como você na vida dele Felipe!
- Realmente, o Bernardo merece alguém que o faça muito feliz Felipe, então seja bom para ele e você terá todo o nosso carinho e respeito.

Eu estava extremamente emocionado com a situação, foi tanta aceitação por parte de toda a família que eu nem sabia o que dizer, principalmente depois que o Luíz e, finalmente, o avô de Bernardo se pronunciaram:

- Cunhado, você sabe que desde o começo eu apoio incondicionalmente o envolvimento de vocês, pois, desde que você chegou nessa casa eu sinto que o meu irmão está mais feliz e radiante com a vida, o que denota o quanto você está fazendo bem a ele. Pra mim isto é tudo o que importa, sejam muito felizes juntos!
- Meus filhos, vocês são jovens e livres para tentarem ser felizes juntos. Eu espero que a relação de vocês dê certo e que você sejam almas gêmeas, que se encontraram de uma forma tão inesperada por ação do destino. Felipe, nós ainda não nos conhecemos muito bem, mas, como disse o meu neto Luíz, se você está fazendo bem ao Bernardo isto é tudo o que importa pra mim também.

Depois de ouvir tudo aquilo eu ainda estava sem ação, na verdade me controlando para não chorar de emoção na frente de todos. Então o seu Manoel se dirigiu a mim:

- Você quer dizer alguma coisa Felipe?
- Olha...eu só tenho a agradecer a todos você, primeiramente por me acolherem aqui, mesmo eu sendo um total desconhecido, e segundo, por me darem as suas bençãos quanto ao meu namoro com o Bernardo, pois de uma forma bem singular eu me apaixonei por ele e quero muito fazê-lo feliz! É isso o que eu tenho pra dizer, novamente, muito obrigado pelo apoio de vocês!

Para completar a surpresa, quando eu terminei de falar, Bernardo estava a meu lado e, inesperadamente, me beijou na frente de todos. Depois ele me abraçou forte, e eu senti como se naquele momento eu estivesse completo, pois finalmente tinha encontrado a minha minha alma gêmea.