domingo, 17 de novembro de 2013

Capítulo 4 - O Início de Uma Guerra (Cont.)

Depois de sair da UFTU, Enzo voltou para a cada de Daniel, que já o estava esperando, visto que havia saído muito mais cedo da universidade naquele dia.

- Daniel! - Gritou Enzo enquanto esperava à porta da casa de Daniel, depois de ter apertado a campainha mais de uma vez.
- Oi amor...entre, me desculpe! - disse Daniel ao abrir a porta - eu acabei cochilando enquanto te esperava! Mas que história de me chamar de Daniel é essa?
- Claro amor, você queria que eu gritasse aqui na rua da sua casa: AMOR, JÁ CHEGUEI!?
- Realmente - respondeu Daniel rindo - mas eu prefiro que você me chame assim!
- Tudo bem! Então vamos começar tudo de novo, eu vou lá fora gritar por você novamente! - Enzo se dirigia para a porta enquanto falava.
- Deixa de ser engraçadinho, vem cá - disse Daniel enquanto envolvia Enzo em seus braços - Eu preparei uma seleção de filmes pra gente assistir e estava pensando em fazer pipoca! Topa?
- Com certeza amor! Só que eu não vou poder dormir aqui hoje, porque eu estou cheio de matéria para estudar!
- Tudo bem! Eu já me contento em ter tido a oportunidade de dormir agarradinho com você ontem - Daniel deu um beijo em Enzo ao final da frase.
- Bom, deixa-me olhar essa seleção que você fez!
- Tá bom! Enquanto isso eu vou preparar a pipoca!

Enquanto os dois apaixonados estavam fazendo esse programa caseiro, em outro lugar da cidade Frida estava arquitetando o seu plano para se vingar de Enzo, junto com Juliana, a moça que os viu se beijando há algum tempo.

- Mas no que estás pensando Frida? De que forma pretendes te vingar do Enzo? - perguntou Juliana.
- Apesar de ser assumidamente gay, o Enzo não gosta de ter a sua vida pessoal exposta - respondeu Frida - então eu vou revelar para toda a universidade que tipo de pessoa ele é: primeiramente, um homossexual, em segundo lugar, um perigo para os relacionamentos e, em terceiro lugar, um traidor de amizades.
- E como pretendes fazer isso?
- Se eu bem conheço o Daniel, ele e o Enzo devem ter um ritual de parar o carro no mesmo local onde os vistes naquele dia, para fazer sabe-se lá o que! Então quero contar com a tua ajuda para tirar uma foto disso, sendo totalmente despercebida como da última vez!
- Bem, eu posso tentar, pois eu estou do teu lado nessa história, afinal o cara é um traidor e te deu uma apunhalada da pior forma! Mas tens certeza de que eles estarão no mesmo lugar?
- Com certeza! O Daniel é maníaco por rituais! - disse Frida com muita convicção - Ele sempre sentava de um lado do sofá quando estávamos em casa, sempre me deixava no mesmo local quando íamos pra UFTU, sempre sentava no mesmo lugar na "Snack", e assim por diante!
- Bom, nesse caso eu posso fazer isso sem problemas, afinal é no meu caminho habitual de casa pra UFTU.
- Muito obrigada Jú! Eu não vou esquecer esse favor!

Na manhã seguinte, Daniel foi buscar Enzo em casa para irem juntos para a UFTU. Quando chegou no local foi convidado pelos pais do rapaz a tomar café com eles.

- O que achou do bolo Daniel? - Perguntou Maria.
- Está delicioso! Como sempre dona Maria!
- Eu adoro comer bolo de manhã, principalmente o da minha mãe! - disse Enzo, que já estava no segundo pedaço de bolo - Eu vou até mais feliz pra universidade! - ele riu.
- Ah amor, mas você é um papa-bolo mesmo né?! - disse Daniel.
- O Enzo não sossega enquanto a mãe dele não faz um bolo para ele comer antes de ir pra universidade - disse Roberto - é, praticamente, sagrado que tenha isso pra café-da-manhã, se não ele reclama!
- Eu imagino! - respondeu Daniel - quando, a gente sai para comer alguma coisa ele sempre pede a mesma coisa! Bolo de chocolate.
- Eu quero saber se você veio me buscar para ir à para a UFTU ou para me difamar na frente dos meus pais - replicou Enzo rindo - e vocês dois não deem muito papo pra ele, se não já viu!
- Bem, o café-da-manhã está muito bom tios, mas acho que a gente já tem que ir né amor? - disse Daniel, levantando-se da cadeira.
- É verdade amor! Pai, mãe, volto de tarde tá? - disse Enzo enquanto caminhava em direção à saída - beijos!

No caminho para a UFTU, como Frida previra, Daniel parou o carro a alguns metros da universidade, para que ele e Enzo, como de costume, pudessem se despedir de uma maneira mais íntima sem que ninguém visse. Porém, novamente, os dois estavam alheios à presença de Juliana, que os observava e, dessa vez, registrava o seu momento intimo através de uma câmera.
No final da tarde, enquanto Daniel estava na casa de Enzo, visto que fora convidado novamente pelos pais do rapaz a se juntar a eles, Juliana acabara de entregar a Frida as fotos tiradas naquela manhã.

- Muito bem Jú! Agora aqueles dois vão ver o quanto eles me magoaram!
- O que você vai fazer com a fotos? - perguntou Juliana - eu ainda não entendi!
- Amanhã você e toda a universidade vão saber, não se preocupe!

No outro dia, cartazes com fotos de beijo estavam afixados por toda a extensão da universidade, acompanhadas do seguinte título:
Ladrão de Namorados!

Quando chegaram à universidade, os dois não acreditavam no que viam, principalmente Daniel, que estava tão perplexo a ponto de ficar estático na posição em que se encontrava quando avistou o primeiro cartaz.

- Amor...me diz...que isso não está acontecendo! - disse Daniel quase inaudível.
- Amor...eu...eu não...- Enzo mal conseguia pronunciar as palavras - eu não sei como isso...

Antes que Enzo pudesse concluir a frase, Frida se aproximou deles e disse:

- Gostaram?
- Frida...Você...Você fez isso? - disse Daniel ainda incrédulo.
- Claro! Eu particularmente acho que estás um gato nessas fotos! - ela replicou.
- Por que? para que? - Enzo estava praticamente gritando.
- Eu te disse Enzo, você arranjou uma inimiga! Isso é só o começo! - ela disse isso enquanto ia embora, então parou e acrescentou - pode esperar mais!
- Amor, eu não posso ficar aqui - disse Daniel se dirigindo à saída da universidade - você vem comigo?
- Claro amor! me espera!

Enquanto se dirigiam à saída, eles perceberam algumas pessoas olhando diferente e fixamente para eles, fazendo comentários em tom de voz baixo, cochichando umas nos ouvidos das outras. Quando chegaram à saída, Daniel prontamente correu até o carro, enquanto Enzo parou um instante no portão, olhando para trás e refletindo sobre o fato de realmente ter perdido uma amiga. Pior do que isso, foi ter arranjado uma inimiga que sabia de todos os seus segredos, assim como todas as suas fraquezas. A guerra tinha realmente começado, mas quando virou e rumou para o carro de Daniel, Enzo estava determinado a não ser um inimigo tão fácil de se abater.
Depois de deixarem a universidade, Daniel estava bastante nervoso, tanto que começou a acelerar cada vez mais, até o ponto em que Enzo pediu a ele que parasse o carro, para que pudessem conversar sobre o que havia ocorrido.

- Amor...você precisa se acalmar...a Frida...
- Amor...eu... - Daniel não conseguiu conter as lágrimas, então desabou no colo de Enzo. Depois de se sentir novamente preparado ele continuou - eu não posso passar por algo assim de novo...
- Passar pelo quê...eu não...
- Eu vou te contar tudo amor - disse Daniel o interrompendo.

Daniel relatou o fato ocorrido com o amigo Lucas quando tinha sete anos de idade e as reações por parte tanto de sua babá como de seus pais.

- Amor...que horrível! Por que nunca me constastes isso? Não é uma coisa muito saudável de se guardar para si! - disse Enzo preocupado.
- Eu não gosto de falar do assunto amor! A rejeição que eu recebi por esse fato tão insignificante foram tão severas que até pensar nisso ainda é doloroso! - Daniel parou um momento e depois continuou - Os olhares que eu recebi hoje na UFTU foram iguais aos que eu recebi dos meus pais...Enzo, e se eles, de alguma forma chegarem a ter conhecimento disso...e se...
- Calma amor! - disse Enzo enquanto o abraçava - você se lembra do que me disse quando me pediu que ficássemos junto? que não ia temer a opinião das pessoas se eu estivesse com você?! Pois eu estou aqui e não vou te deixar sozinho nisso! Tudo vai dar certo!
- Mas eu não sabia que seria exposto dessa maneira!
- Realmente amor, eu também não imaginava que as coisas iam ser dessa forma, mas tudo bem! sabe por que? - Enzo beijou o topo da cabeça de Daniel - Porque eu te amo e não vou deixar que nada abale esse sentimento! O que ocorreu é obra de uma pessoa mesquinha e infantil, que eu um dia considerei uma amiga, mas hoje se tornou alguém que nem merece que eu me preocupe com as coisas que ela faz!
- Amor...eu não estou preparado para voltar à universidade tão cedo e, se não te importares, eu queria ira pra casa descansar e refletir sobre tudo isso!
- Eu entendo amor, não se preocupe! Só quero dizer mais uma coisa: o que nós estamos fazendo não tem nada de errado! Ser gay não tem nada de errado! Independentemente do que os seus pais, a sua babá ou qualquer outra pessoa diga!
- Amor...muito obrigado! Eu te amo!
- Eu também te amo! - Enzo o abraçou forte e o beijou, então prosseguiu falando - Agora me deixa em casa, por favor! e quando chegar em casa me liga, tudo bem?
- Claro! eu ligo sim, com certeza!

sábado, 16 de novembro de 2013

Capítulo 3 - Lembranças do Passado (Cont.)

- Felipe...eu não entendo o motivo dessa atitude por parte dos teus pais! Bernardo e Luiz naturalmente se interessam por homens e eu não vejo qualquer problema nesse sentido, assim como não veria se eles se interessassem por mulheres.
- Eu compreendo a sua perplexidade Manoel, pois os costumes desse vilarejo, de certa forma, assustaram até a mim! Eu não conseguia compreender como esta questão era tratada tão naturalmente aqui. Os meus pais também não entenderiam e é por essa falta de conhecimento que eles agiram tão severamente para comigo, mas no fundo são pessoas de bom coração.
- Realmente não faz o menor sentido essa atitude da sua família! Durante muito tempo fui cortejada por mulheres, mas atualmente estou compromissada com um rapaz do vilarejo. Se nossa relação não der certo eu poderia muito bem me engajar com uma dama.
- Naturalmente Paula, nós somos livres para escolher quem nos agrada, ou melhor, quem nos encanta! Apesar de eu nunca ter sido cortejada e nem ter me engajado com mulheres, eu não vejo qualquer restrição quanto a isso.
- Este é um dos pontos que sempre me fez sentir "encaixado" aqui nesta casa, além da acolhida de vocês é claro. Quem me dera meus pais fossem tão liberais sobre esse assunto, tal como você Manoel!
- Eu também sou muito rígido com minhas crenças Felipe, por isso estou tentando compreender a atitude dos teus pais, mas o que realmente me intriga é que eles puseram isto acima de você, que é o único filho deles. Isto não está certo!
- Manoel, agora que vocês já sabem de onde eu vim...eu terei que ir embora desta casa?
- Ora, mas que bobagem Felipe, é claro que não! Você já é parte dessa família desde o dia em que chegou e agora que és companheiro de Bernardo, isto seria totalmente despropositado!
- Eu te disse!
- Muito obrigado Manoel! Eu estava tão aflito com essa possibilidade!
- Pois não há com o que se preocupar! Você é e sempre será parte desta família! És um filho pra mim, em vários sentidos!

Depois que tudo havia sido esclarecido e a minha mente estava em paz novamente, eu parti com Bernardo rumo ao pasto, pois já me sentia preparado para voltar ao trabalho. Mas antes de chegarmos ao local, Bernardo me conduziu até uma lagoa localizada no meio do caminho. Nós sentamos à beira da lagoa e, como eu não entendia o motivo de estarmos ali, esperei até que Bernardo dissesse algo. E ele o fez:



- Felipe...o dia está lindo não é?
- Claro, está lindo! Por mim a gente poderia ficar apreciando a vista por horas, mas precisamos trabalhar!
- Não se preocupe...nós já vamos para o pasto, mas antes eu queria te dar uma coisa...

Conforme verbalizava ele tirou de um dos bolsos um cordão com um pingente e, sorrindo tão lindamente quanto sempre o fazia, o estendeu para mim segurando em ambas as mãos.


- O dia não podia estar mais perfeito do que hoje para eu poder te dar esse presente! Assim como esse sol refletindo nesse lago, você iluminou a minha vida de uma maneira sem precedentes! Este pingente representa você, pois pra mim o seu símbolo será sempre o sol, pois és majestoso e, ao mesmo tempo, generoso! Você tem brilho próprio e, por onde passa, ilumina a vida das pessoas!




Como de costume, Bernado me deixou sem palavras e/ou reação, mas isso não estragou o momento, pois ele se inclinou e colocou o cordão em meu pescoço. Ao terminar ele me beijou e nós ficamos tão envolvidos que simplesmente nos deitamos na relva, de uma forma cada vez mais intensa. Porém, repentinamente, Bernardo, interrompeu o processo, antes mesmo que ele ficasse ainda mais intenso. Então, finalmente, rumamos para o pasto e, quando eu estava descendo do cavalo no local, Bernardo me disse algo antes de irmos, efetivamente, trabalhar:

- Eu te amo! Hoje não poderei ficar com você, mas volto em breve!
- Tudo bem Bernardo, eu ficarei bem! Te aguardo ansiosamente!

Enquanto Bernardo estava na cidade comercializando os produtos advindos das ovelhas, eu tentei me concentrar no meu trabalho de condução e selecionamento das ovelhas, que aliás eu desempenhava cada vez melhor, mas eu, absolutamente, não me focar totalmente, pois vinha à minha mente, constantemente, as imagens dos momentos felizes que Bernardo vinha me proporcionando e na sensibilidade com qual ele  os conduzia, então aquelas três palavras fizeram sentido vindas de mim também, tanto que, quando Bernardo chegou, eu o abracei fortemente e as pronunciei, quase gritando:

- EU TE AMO!

- Felipe...eu...nossa! É tão bom ouvir isso de você, que eu fico quase sem saber o que dizer!
- Não diga nada, apenas saiba que estas palavras são genuínas e você é o único homem que já as ouviu vindas de mim!

Depois de ouvir isso, uma brilho surgiu nos olhos de Bernardo, deixando-os ainda mais lindos, assim como um sorriso no canto dos seus lábios que expressava a sua felicidade. Então, ele fez algo, ao mesmo tempo, lindo e inesperado: se ajoelhou perto de mim, segurou minha mão direita e fez a seguinte pergunta:

- Você, Senhor Felipe, me dá a honra de te conduzir até em casa?


Eu ri da situação, mas também entrei no personagem e respondi:


- É claro Senhor Bernardo! Nada me deixaria mais contente!


Nesse clima, seguimos para casa. Quando chegamos lá, jantamos com o resto da família, conversamos sobre o dia de cada um e eu não podia deixar de me sentir a pessoa mais feliz do mundo, afinal aquela família me fazia sentir incluso e o meu namorado era incomensuravelmente romântico e sensível.
Depois do jantar, Bernardo me conduziu até meu quarto e, antes que ele fosse embora, eu pedi que ele ficasse comigo. Ele aceitou e se deitou comigo, então conversamos sobre diversos aspectos da nossas vida até então desconhecidos para ambos, como a nossa infância.
Antes de dormirmos, naturalmente, nos abraçamos, nos beijamos e trocamos carícias. Nesse momento o processo se intensificou novamente, e, mais uma vez Bernardo o interrompeu, porém, desta vez, ele me disse o porquê:

- Felipe...acho que nós precisamos conversar sobre isso...
- Se você não quiser a gente não precisa levar isso adiante, não há problema algum!
- Bem...eu realmente quero...você não sabe o quanto eu estou te desejando nesse momento! Mas eu prefiro esperar até depois que nós tivermos um compromisso ainda mais sério!
- É claro Bernardo, como eu disse, não há problema! Mas o que seria um compromisso mai sério?
- Bem...casar, não é óbvio?
- Espera...nós...
- O que foi...Você não quer?
- Não...É claro...Digo, a gente pode fazer isso?
- Claro, quando duas pessoas se amam muito, elas se casam!
- Desculpa Bernardo, não me entenda mal, eu não sabia que nós podíamos fazer isso! Nada me faria mais feliz do que ter um laço ainda mais forte com você!
- Ainda bem, eu realmente cheguei a pensar que você não queria! E você realmente não se importa se esperar até depois da cerimônia para consumarmos esse desejo? Desculpe, mas eu levo muito a sério o preceito de consumar apenas depois do casamento.
- Não, eu com certeza esperarei! Ansiosamente, mas esperarei!

Nós rimos bastante da minha última fala, então nos aconchegamos para podermos dormir.

- Você ainda quer que eu durma aqui com você?
- Claro! nem ouse me deixar sozinho!
- Tudo bem, estarei aqui ao seu lado!
- Antes de dormirmos, posso perguntar uma coisa?
- Sim, pergunte!
- Se você leva aquele preceito tão a sério, quer dizer que você...nunca...nunca consumou um relacionamento?
- Bem...não! Isso é muito estranho pra você!
- Não! Na verdade eu estava pensando se, a partir do que eu te contei, não te incomoda o fato de eu já ter tido essa prática há bastante tempo?!
- Ora, você não me parece nenhum pouco com aquela pessoa, então não me importo com o seu passado. Nossos preceitos são um pouco diferentes, mas quem sabe podemos aprender muitas coisas dividindo nossas crenças um com o outro.
- Sabe Bernardo, quando eu penso que você não pode ser mais perfeito, você abre a boca e me surpreende!
- Eu te amo!
- Eu também te amo! Boa noite!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Top 20 - Filmes Romance Gay


1- Shelter (De Repente Califórnia), 2007


O protagonista Zach (Trevor Wright) vive a descoberta de um romance com o irmão mais velho do seu melhor amigo, Shaun (Brad Rowe),o qual regressa a casa para procurar inspiração para um novo livro. Zach é habituado a uma vida onde omite as suas próprias necessidades em favor de cuidar de sua irmã mais velha, Jeanne (Tina Holmes) e o seu sobrinho, Cody (Jackson Wurth) que o considera um verdadeiro pai. Shaun e Zach acabam por desenvolver uma grande amizade, mas aos poucos começam a se relacionar emocionalmente. Apesar de se sentir atraído por Shaun, Zach vai estar cheio de dúvidas e terá receios de enfrentar a sua verdadeira identidade, a sua família e amigos.





2- Beautiful Thing (Delicada Atração), 1996


No subúrbio londrino, Jamie Gangel (Glen Berry) e Ste Pearce (Scott Neal) são dois vizinhos e colegas de colégio. Ste mora com o irmão e o pai alcoólatra, que freqüentemente o espanca. Jamie mora com a mãe, que sensibilizada com os maus tratos ao vizinho, convida-o para ficar em sua casa, no quarto do filho. Mal sabe ela que daí vai surgir um caso de amor entre os dois garotos, permeado pelos delicados detalhes da descoberta do primeiro amor.




3- Juste Une Question D'Amour (Just a Question of Love), 2000


Laurent (Cyrille Thouvenin) é um rapaz que mora com a melhor amiga Carole (Caroline Veyt), que finge ser namorada dele em eventos da sua família conservadora. Ele esconde da família a sua orientação sexual, por medo de ser abandonado, como ocorreu com um primo que também era homossexual e morreu de hepatite sem suporte familiar. Durante um estágio, ele conhece Cedric (Stéphan Guérin-Tillié), um cientista de plantas, por quem se apaixona. Porém, Cedric tem um padrão de aceitação familiar quanto à homossexualidade totalmente diferente de Laurent, o que exigirá de ambos a capacidade de lidar com as diferenças nos modos individuais de lidar com essa situação.




4- Patrik 1,5 (Patrick, Age 1.5), 2008


Göran Skoogh (Gustaf Skarsgård) e Sven Skoogh (Torkel Petersson) são um casal que adota quem eles acreditam ser um bebê de um ano e meio de idade (1.5) chamado Patrick (Tom Ljungman). No entanto, quando o menino chega, ele não é bem o que os dois esperavam. Houve um erro de digitação na idade do garoto e o casal recebe um jovem de 15 anos, homofóbico e com um passado criminoso. Entretanto, o que no início parece ser um conflito insolúvel, aos poucos revela-se uma sensível descoberta da amizade e do amor paterno, entre pessoas totalmente estranhas umas às outras.



5- Lucky Blue (Lucky Blue), 2007


É um curta com 30 minutos onde somos apresentados a Olle (Tobias Bengtsson) que está organizando um festival anual de música em um pacato vilarejozinho no interior da Suécia. Então chega Kevin (Tom Lofterud), um rapaz, que a principio passa a impressão de ser grosso, fechado e mal humorado. Os dois se aproximam e se tornam amigos devido a um incidente com o pássaro (Lucky Blue) da tia de Kevin que acaba fugindo da gaiola, mas a relação evolui para algo que os deixa confusos e cheios de dúvidas.




6- Sommersturm (Summer Storm), 2004


Tobi (Robert Stadlober) e Achim (Kostja Ullmann) são dois garotos bastante populares. Amigos desde a infância, acreditam que nada seria capaz de ficar entre sua amizade. Eles estão ansiosos pelas férias de verão, quando vão ao acampamento. Quando um grupo de homossexuais chega ao acampamento direto de Berlim, Tobi fica confuso em relação à sua sexualidade e os sentimentos sobre o melhor amigo. O filme mostra o vendava de emoções que essa dúvida traz à vida de Tobi e como isso se resolve até o final do verão.




7- Get Real (Saindo do Armário), 1998


Steven (Ben Silverstone) é um adolescente, que gosta de ouvir música e vive no computador. De uma forma bem inesperada ele encontra e acaba se apaixona por Dixon (Brad Gordon), o atleta mais cobiçado pelas garotas da escola. Dixon, aos 16 anos, tem dificuldade em entender e assumir sua sexualidade. Os dois tentam levar adiante o namoro em meio a toda a pressão social do ensino médio, o que decorre em muito fatos interessantes.



8- I Think I Do ( Acho Que Sou), 1997


Há cinco anos, Bob (Alexis Arquette) sente uma forte atração por Brendan (Christian Maelen), seu companheiro de faculdade. Eles eram grandes amigos e moravam na mesma república durante a faculdade, até que, no meio de uma brincadeira, Bob mostrou que estava apaixonado e Brendan fugiu. Anos depois, os dois encontra-se no casamento de uma amiga comum, no qual Brendan descobre que sempre amou Bob, pois não há ninguém melhor para se apaixonar do que pelo seu melhor amigo.



9- Trick (Truques da Paquera), 1999


Gabriel (Christian Campbell) é um escritor de musicais que não tem uma vida sexual muito agitada. Em uma noite, acaba se encantando por Mark (John Paul Pitoc), um go-go boy que vê em um bar. Coincidentemente Mark toma o mesmo metrô que Gabriel, que não não deixa de notá-lo. Surpreendentemente Mark se levanta e acaba descendo na mesma parada que Gabriel. Juntos os dois vão procurar uma forma de ficarem sozinhos. Ao longo dessa jornada se desenrola uma história cheia de situações engraçadas e interessantes, onde mesmo uma "ficada" pode se tornar algo especial.





10- Weekend (Weekend), 2011


Depois de uma festa em casa com seus amigos, Russell ( Tom Cullen) dirige-se para um clube gay, onde encontra Glen (Chris New), com quem, aparentemente, teria apenas um caso de uma noite. Porém, isto torna-se algo especial e dá origem a uma história de amor pouco convencional, que ocorre ao longo do fim de semana, entre dois jovens que tentam dar sentido a suas vidas, pois, Glen tem a oportunidade de cursar artes nos Estados Unidos, o que se torna doloroso para Russel, que, inevitavelmente se apaixona por ele e não o quer deixar partir.



11- Latter Days (Louvado Seja), 2003


Christian (Wes Ramsey) é um rapaz de 20 e poucos anos que vive em um condomínio em Los Angeles e adora curtir a noite. Suas conquistas sexuais são apenas para uma noitada. Elder Aaron Davis (Steve Sandvoss) chega à cidade com mais 3 missionários mórmons para se hospedar no mesmo condomínio de Chris. Esses mundos antagônicos irão se chocar trazendo graves conseqüências para ambos, considerando-se que, a partir de uma pretensiosa aposta, surge um inesperado romance.



12- Mulligans (Mulligans), 2008


Tyler ( Derek Baynham) leva Chase (Charlie David), um amigo da faculdade, para passar as férias de verão junto com a sua família. Porém, algo que pode desestruturar toda a família acontece entre o pai de Tyler, Nathan (Dan Payne), e Chase.



13- Watercolors (Aquarela - As Cores de Uma Paixão ), 2008


Daniel (Tye Olson) é um garoto tímido que tem um grande talento para pintura, sendo considerado um jovem artista. Ele se aproxima de Carter Melman (Kyle Clare), um campeão de natação e garoto com comportamento bastante polêmico. Danny ajuda Carter no estudos, enquanto este o ajuda a sair de sua concha, despertando ainda mais a sua paixão pela arte e fazendo aflorar sua sexualidade.




14- Alex Und Der Löwe (Alex and Leo), 2010


Alex (André Schneider) e Leo (Marcel Schlutt) se encontram pela primeira vez em um café em Berlim. Tempos depois os dois se reencontram, mas desta vez Alex está solteiro e Leo mais consciente de sua sexualidade. Os melhores amigos de Alex, Tobi (Udo Lutz), Kerstin (Beate Kurecki) e Steffi Graf (Sasca Hai) se envolvem na história, ora dificultando e ora facilitando a relação que os dois rapazes parecem estabelecer, apesar dos seus próprios dramas pessoais.




15- Prayers For Bobby (Orações Para Bobby), 2009


Baseada em fatos reais, a história mostra a história de Mary (Sigourney Weaver), uma cristã devota que descobre que seu filho Bobby (Ryan Kelley) é homossexual. Depois que a mãe o submete a terapias e ritos religiosos de "cura", o garoto não suporta a pressão e comete suicídio se atirando de uma ponte. Depois desse fato, Mary descobre um diário de Bobby e passa a entender de fato o que se passava na mente dele, o que a leva a interpretar de outra forma os textos bíblicos, passando a acreditar que a homossexualidade não é condenável, tornando-se então uma ativista dos direitos dos homossexuais.




16- Plata Quemada (Burnt Money), 2000


Angel (Eduardo Noriega) e Nene (Leonardo Sbaraglia) são dois matadores inseparáveis conhecidos no meio como "os gêmeos", além de serem amantes. Em um novo trabalho que parecia fácil, acaba ocorrendo um verdadeiro massacre e e os dois decidem fugir para o Uruguai, para evitar que sejam mortos. Lá eles se escondem em um apartamento emprestado por um mafioso local, onde esperam a chegada de novos documentos fraudados que permitam que eles viajem para o Brasil. Mas quanto mais os documentos demoram a chegar mais a tensão entre eles cresce, chegando a níveis insuportáveis que prejudicam a relação.




17- Mysterious Skin (Mistérios da Carne), 2004


Brian Lackey (Brady Corbet) é um jovem traumatizado por um lapso de tempo em sua memória aos oito anos e, perturbado por pesadelos, acredita que foi vítima de abdução alienígena. Neil McCormick (Joseph Gordon Levitt), no entanto, é aquele típico bad boy tramatizado com comportamento desviante. Os dois tiveram a mesma experiência no passado, mas reagem de modo diferente.




18- Almost Normal (Almost Normal), 2005


Um homossexual se aproximando da crise de meia-idade está cansado de ser diferente por ser gay. Ele quer ser normal. De repente ele é enviado para a época que ele estava no ensino médio. Mas desta vez, o mundo é gay e ser hétero é considerado comportamento depravado. E então outra coisa acontece. Ele conhece uma garota. E, de repente, ele novamente não se adéqua à "normalidade".




19- Do Começo ao Fim (Do Começo ao Fim), 2009


Francisco (Lucas Cotrim) e Thomás (Gabriel Kaufmann) são meio-irmãos que, desde pequenos, se tornam grandes amigos e, quando adultos, transformam esta amizade em algo mais profundo e polêmico.



20- Boy Culture (Boy Culture), 2006


X (Derek Magyar) é um michê de sucesso que descreve em uma série de confissões os seus confusos relacionamentos românticos com seus dois colegas de apartamento, e um velho e enigmático cliente, Gregory (Patrick Bauchau), que lhe conta uma inquietante história de amor que durou 50 anos, a qual incita o protagonista a experimentar algo que não sente há muito tempo: emoção.


sábado, 5 de outubro de 2013

Capítulo 4 - O Início de uma Guerra

Decorridas duas semanas desde que Enzo lera a carta na qual Frida sumariamente terminava sua amizade com o rapaz, este resolveu tomar uma atitude em relação a isso, pois, a despeito do pedido que ela fizera de que os dois nunca mais se falassem, ele sentia saudade de poder conversar com a amiga e estava muito incomodado com a indiferença que ela demonstrava todos os dias durante as aulas. Então, em uma noite de quinta-feira, depois de sair da UFTU, Enzo foi até a casa de Frida. Quando esta abriu a porta, ficou visivelmente, surpresa:

- Enzo...- depois de uma breve pausa ela continuou em um tom indiferente - o que estás fazendo aqui?
- Olha...eu sei que dissestes pra eu não falar mais contigo, mas eu realmente....
- Para... - ela o interrompeu - eu não quero ouvir explicações ou qualquer outra coisa que queiras falar! - prosseguiu cada vez mais categórica - eu não quero mais te ver e tampouco falar contigo, e mais ainda, me considere sua principal inimiga, pois pior do que ser traída pelo namorado é ser traída pelo melhor amigo! Isso não tem perdão...na verdade até exige vingança... - ela foi reticente nessa última frase e, depois de terminá-la, bateu a porta na cara de Enzo.


Depois de deixar a casa de Frida, muito triste, Enzo ainda caminhou algumas quadras até que decidiu ligar pra Daniel, que não demorou a buscá-lo de carro. Quando o rapaz viu as feições de Enzo, perguntou:


- Amor, o que aconteceu? - disse ele enquanto colocava a mão nos cabelos de Enzo, acariciando-os - por que você estava andando por aqui?
- Eu vim até a casa da Frida para tentar conversar com ela, mas... - ele titubeou, mas respirou fundo e continuou - mas ela me disse que agora sou o pior inimigo dela e então bateu a porta na minha cara! - então ele olhou pra Daniel e prosseguiu - obrigado por ter vindo me buscar amor!
- Sem problemas amor! poxa, eu nem sei o que te dizer, essa é uma situação bem complicada! na verdade eu me sinto um covarde perto de você agora, porque eu terminei com ela e quase não mantivemos contato, mas você a tem visto todos os dias quando ela nem sequer te dirige a palavra, e, mais ainda, veio até a casa dela pedir desculpas! - Daniel parou o carro, desatou o cinto de segurança, abraçou Enzo, o mais forte que pode e continuou a falar - você é uma pessoa muito especial sabia? eu te admiro cada dia mais, porque você simplesmente enfrenta a vida do seu jeito! Nunca deixe de ser assim! - ele beijou Enzo brevemente e continuou - e não se preocupe, tudo vai dar certo! você fez a sua parte em pedir desculpas à Frida e agora só podemos esperar que ela abrande o coração para poder te ouvir! - ele voltou a seu lugar, mas continuou voltado para Enzo.
- Obrigado amor! eu fiquei muito triste com isso, porque eu realmente não me sinto culpado de nada, e ela nem sequer quis me ouvir!
- E você não é culpado de nada mesmo amor! fique tranquilo! - Daniel reatou o cinto de segurança e ligou o carro novamente, então disse algo mais - vou te levar para um lugar que eu tenho certeza que vai te animar!

Daniel o levou a um lugar bastante conhecido: a "Snack". O lugar de fato melhorou o humor de Enzo, porém também o trouxe lembranças da amizade com Frida.

- E ai amor? - disse Daniel - a torta está gostosa?
- O que...Muito boa amor! - disse Enzo, depois de um breve hiato.
- O que foi amor? ainda pensando na Frida?
- Desculpa amor! mas eu não consigo deixar de rememorar a cenas de hoje! eu não queria estragar a noite...
- Deixa de ser bobo amor! você não estraga nada! a sua companhia é sempre prazerosa pra mim! Mas eu não gosto de te ver desse jeito!
- Eu sei amor! desculpa de novo! Já queres ir pra casa?
- Claro que não! eu ainda nem te levei no lugar que eu tinha dito! - Daniel estava com um sorriso no rosto.
- Como assim? - Enzo fez uma expressão de confusão - eu pensei que você falava da "Snack"!
- Não, é outro lugar!

Daniel esperou até que Enzo terminasse a torta de chocolate, então levou-o até o carro e seguiu com ele para a sua casa. Quando chegaram ao seu quarto, ele disse:

- Amor, tem uma parte do meu quarto que eu adoro estar, porque me relaxa e eu acho que também vais gostar! - ele conduziu Enzo até uma varanda que havia em seu quarto, pegou alguns lençóis que estavam sobre a cama, colocou no chão, então prosseguiu em sua fala - Deita aqui, eu quero te mostrar uma coisa!
- Tudo bem - respondeu Enzo enquanto deitava nos lençóis ainda meio incerto - mas o que você quer me mostrar?
- Espera - disse Daniel enquanto se deitava ao lado de Enzo. Então, apontando para cima ele finalmente respondeu - aquilo! - ele apontava para o céu, que estava, especialmente naquela noite, límpido e pontuado por milhares de estrelas.

Os dois ficaram vários minutos somente olhando para as estrelas e conversando, então Enzo disse:

- Amor...eu acho que já está tarde! é melhor eu ir embora, porque amanhã eu tenho aula cedo! - ele se levantou e continuou a falar - obrigado por ter ficado comigo hoje, eu realmente me sinto melhor, e eu adorei a vista da varanda do teu quarto!
- Não precisa ir embora amor! Dorme aqui hoje! Eu também tenho aula amanhã, então nós podemos ir juntos!
- Mas eu não trouxe uma roupa reserva!
- Ah amor, eu te empresto! a gente veste quase o mesmo tamanho de roupas!
- Sendo assim, tudo bem!
- Então vem pra cá de novo! - Daniel o puxou para si e, quando Enzo caiu em cima dele com o rosto bem próximo ao seu, ele o beijou! - Eu já disse que eu te amo?
- Ainda não! por isso que eu ia embora! - respondeu Enzo em tom brincalhão.
- Palhaço - disse Daniel enquanto o beijava novamente.

Nesse momento, apesar da beleza do céu estrelado, eles estavam curtindo um ao outro entre beijos e carícias, até que Enzo, em um sobressalto, indagou:

- Amor, e se teus pais chegarem?
- Relaxa amor, eles estão viajando de novo. Você já quer deitar?
- Acho que sim amor, ainda tenho que tomar um banho e escovar os dentes! - disse Enzo.
- Então vá logo fazer isso, enquanto eu vou arrumar estes lençóis e a cama.

Quando Enzo passava a noite na casa de Daniel, ele dormia em um colchão retirado da cama para ele, porém, quando voltou do banheiro, após o banho, ele não viu o tal colchão arrumado, e perguntou:

- Cadê o meu colchão amor?
- Como os meus pais estão viajando, acho que podemos dormir juntos na minha cama, afinal ela é bem espaçosa! - respondeu Daniel enquanto se dirigia para o banheiro - vou tomar um banho também, já volto!

Quando os dois finalmente se deitaram para dormir, inevitavelmente, houveram beijos e carícias, porém o clima esquentou mais nesse dia, de modo que os beijos e as carícias se tornaram mais intensos. Mas, em determinado momento, Daniel interrompeu e disse:

- Amor...eu acho que ainda não estou preparado pra...você sabe... - ele estava bastante desconfortável e nervoso com a situação.
- Calma amor, eu não estou criando expectativas nesse sentido - Enzo segurou o rosto de Daniel - É natural que as coisas "esquentem" nessas situações em que estamos tão próximos e sem ter que nos preocupar com os seus pais, mas eu, absolutamente, quero que isso ocorra quando ambos estivermos à vontade! - então ele o beijou - mas eu não abro mão de dormirmos abraçados! - assumiu um tom mais brincalhão - vem cá, vamos dormir!
- Obrigado amor - disse Daniel, quando os dois estavam abraçados e prontos para dormir.

No outro dia, como prometido, Daniel emprestou uma roupa para Enzo ir à aula. Os dois tomaram café da manhã juntos e depois rumaram para a UFTU. Como de praxe, Daniel parou o carro a algumas ruas antes de chegarem ao campus, para que pudessem se dar o beijo matinal e trocarem as últimas carícias antes de irem para a aula.
Quando chegaram ao local, Daniel se despediu e foi para a sua sala de aula, enquanto Enzo adentrou uma das salas de aula do curso de Medicina. Ao se sentar, ele notou um olhar vindo de Frida, que rapidamente o desviou, porém evidenciou uma irritação. Ao refletir sobre o assunto, Enzo percebeu que estava vestindo as roupas de Daniel, as quais Frida conhecia muito bem, porém, para piorar, ele recordou do dia em que fora com a amiga comprar uma camisa de presente para Daniel, que era exatamente a que ele estava vestindo agora.
Definitivamente, Enzo pensava estar cada vez mais longe de poder explicar a Frida a sua relação com Daniel ou mesmo de reatar a amizade antes existente entre eles. Porém, mais do que isso, o que ele não sabia era que a garota estava planejando uma iminente guerra pessoal contra Enzo.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Capítulo 3 - Lembranças do Passado

Mesmo depois que todos aqueles que estavam no meu quarto se asseguraram de que eu estava bem e se dirigiram para seus respectivos afazeres, Bernardo ainda continuou comigo, segurando a minha mão e me olhando sem dizer nada. Depois de algum tempo, ele se deitou a meu lado em minha cama e me envolveu em seus braços, beijou o topo da minha cabeça e disse:

- Eu fiquei muito preocupado com você...há muito tempo que eu não me sentia tão bem ao lado de alguém...se acontecesse alguma coisa...

Conforme ele proferia cada palavra eu sentia que ele me segurava cada vez mais forte e fiquei lisonjeado por saber que já significava tanto pra ele. Nesse momento, não tive nenhuma outra alternativa senão corresponder o seu carinho com a mais pura sinceridade. Então lhe disse:

- Bernardo...eu preciso lhe contar algo...
- O que é? você não está se sentindo bem de novo?
- Não...Calma...olha, eu estou bem! Mas preciso lhe contar algo que ocorreu durante o meu desmaio na cozinha...eu..eu já lembrei como eu vim parar aqui!

Eu lhe contei tudo. Comecei pelo o evento fatídico com o servo e finalizei com o nosso encontro na Floresta do Leste. Conforme eu lhe contava os fatos do meu passado, não podia deixar de me preocupar com a possibilidade dele se decepcionar com a forma como eu usava as pessoas ao meu redor para obter prazer. Porém, preferi ser o mais transparente possível na minha explicação, para que eu sentisse que merecia pelo menos um pouco do carinho e da atenção que aquele rapaz me direcionava.
Durante a minha explicação, Bernardo continuou na mesma posição em que estava no inicio da conversa e, em alguns momentos, afagava o alto da minha cabeça, com as suas mãos, que apesar de grandes, tinham um toque suave, que me trazia uma sensação de paz e segurança. Quando eu finalizei a explicação ele me puxou mais ainda em direção ao seu peitoral e disse:

- Você está seguro agora! Não se preocupe!
- Mas você não acha que seu pai vai sugerir que, agora que já lembrei a minha origem, eu volte para lá? eu não sou mais um desmemoriado que vocês acolheram aqui...eu sei de onde eu vim...mas eu não quero....

Quanto mais eu pensava na possibilidade de ter que ir embora daquela casa, ficava mais nervoso e perdia a linha de raciocínio sobre o que eu falava. Bernardo repousou uma mão sobre o meu rosto, o que me fez parar de falar, então, olhando fundo em meus olhos, ele disse:

- Felipe, eu nunca vou te deixar ir embora dessa casa sob nenhuma hipótese que não seja a sua própria vontade. Então, desde que você não queira ir embora agora que lembrou a sua origem, não há com o que se preocupar. Além disso, eu já lhe disse que todos aqui em casa gostam muito de você, como você pode ter percebido hoje durante o café da manhã.
- Então você realmente acha que eu não preciso ir embora por causa disso?
- Absolutamente não! Há algum tempo que você deixou de ser só um estranho que eu achei perdido na Floresta do Leste. Se você não fosse meu namorado, talvez meu pai até te adotasse!

Depois da última frase nos rimos bastante. Quanto a mim, a risada estava mesclada com alívio por poder compartilhar sem preocupação a minha origem e felicidade por ter encontrado alguém tão especial como Bernardo. Depois de cessarem as risadas, Bernardo continuou o que estava dizendo.

- Felipe, reafirmo que você não se preocupe quanto a isso. Mas queria pedir pra que a gente possa compartilhar o que você me falou com a minha família, pois eu prefiro que seja dessa maneira, sem segredos ou informações ocultas entre aqueles que fazem parte dela.
- Se você diz que não devo me preocupar eu não vejo problema em compartilhar isso com eles. Mas você pode me dar um tempinho pra me recuperar? ainda estou com dor de cabeça.
- É Claro! Eu vou ter que ir trabalhar agora, mas volto à noite e, se você já estiver melhor, podemos fazer isso.
- Tudo bem! Até depois!

Bernardo ainda deu mais um beijo na minha testa e então se levantou e andou até a porta. Quando estava quase saindo do quarto, ele se virou em minha direção e proferiu as seguintes palavras:

- Felipe...Eu te amo!

Depois de dizer isso ele, efetivamente, saiu do quarto. Aquelas palavras me atingiram de uma forma tão intensa, que eu não consegui responder antes que ele tivesse deixado o aposento, porém, isso me deixou estranhamente contente, pois percebi que ele não havia dito aquilo pra ouvir que eu também me sentia daquela forma, mas simplesmente para me dizer o que estava sentindo.
Devido à forte dor de cabeça que eu estava sentido, acabei dormindo boa parte do dia. Quando acordei Bernardo já havia retornado para casa e estava ao meu lado, me observando enquanto eu dormia. Já estava tarde da noite quando eu acordei e ainda me sentia bastante indisposto, mesmo depois de ter descansado bastante, então perguntei a Bernardo se ele poderia ficar comigo em eu quarto naquela noite. Consecutivamente à sua resposta afirmativa, eu me aproximei ainda mais dele para abraça-lo e nos organizamos em uma posição confortável para podermos dormir. A sensação de estar com ele era tão boa e calmante que rapidamente eu caí no sono.
Na manhã seguinte eu acordei e Bernardo não estava mais ao meu lado, então tomei banho e desci para tomar café da manhã, imaginando se ele já estaria sentado à mesa, tal como eu confirmei quando cheguei à cozinha. Como esperado todos indagaram sobre o meu estado de saúde e relataram o quão ficaram preocupados na manhã anterior quando eu desmaiei. Então, aproveitando a conversa eu resolvi compartilhar com eles o que eu recordara.


- Gente...queria a atenção de vocês um instante pra contar algo que aconteceu ontem...eu já contei ao Bernardo e hoje queria compartilhar com vocês, que eu considero como a minha família...
- O que aconteceu Felipe? Você está bem?
- Estou sim Manoel, não é nenhum problema de saúde...eu vou explicar...

Eu contei toda a história para o restante da família, mas fui cuidadoso em omitir detalhes que eu não omitira quando contei a mesma história a Bernardo e, com certeza, ele entendia o porque. Porém, posteriormente eu viria a perceber que em ambos os casos eu, inocentemente, esqueci revelar o nome do lugar de onde eu tinha vindo, sendo que isto seria de grande relevância em momentos vindouros. 



domingo, 25 de agosto de 2013

Capítulo 3 - Amizade x Amor (Cont.)

Antes que Enzo pudesse dizer qualquer coisa, Frida o abraçou e começou a falar, em meio a alguns soluços:

- Enzo, eu briguei com a minha mãe e não quero ficar em casa! Posso ficar aqui na sua casa hoje?
- Frida... - Enzo estava ainda mais sem reação, mas ao ver a amiga precisando de ajuda se recompôs e respondeu ao seu pedido - entra, vamos conversar com os meus pais - enquanto caminhavam em direção à cozinha, ele estava se preparando mentalmente para o que viria depois.

- Obrigada Enzo...- quando chegou à cozinha e viu Daniel sentado à mesa com os pais de Enzo, Frida ficou surpresa - Daniel! o que estás fazendo aqui?
- Oi Frida! - Daniel respondeu de forma intermediária entre surpresa e nervosismo.
- Mãe...pai...vocês podem vir aqui comigo um instante? - disse Enzo - eu já volto Frida.

Quando os pais de Enzo chegaram à sala de estar, ele explicou toda a situação a eles e pediu que eles agissem como se Daniel estivesse apenas, por um acaso, jantando com eles naquele dia. Além disso, comentou com eles sobre a situação na casa de Frida e sobre a possibilidade dela dormir ali naquela noite.
Maria e Roberto concordaram com todos os pedidos de Enzo, embora tenham feitos muitas perguntas e tenham dado muitos conselhos ao filho, os quais seriam reforçados em outro momento, segundo eles. Quando voltaram à cozinha, Frida estava conversando com Daniel, que estava visivelmente desconfortável com a situação em que se encontrava.

- Voltamos gente! - disse Enzo ao adentrar a cozinha - Frida, eu conversei com meus pais e eles concordaram que durmas aqui essa noite, sem problemas!
- Muito obrigada Dona Maria e Seu Roberto! - disse ela agradecida.
- De nada minha filha - disse Maria - e, se quiseres, podes jantar com a gente.
- Agradeço de novo, mas eu já jantei.
- Queres que eu te leve ao quarto pra descansares? - disse Enzo.
- Se não tiver problema, eu gostaria sim.
- Sem problema! eu já volto - Enzo olhou diretamente pra Daniel quando disse isso, primeiramente para verificar como ele aparentemente estava e, em segundo lugar, para confortá-lo e assegurar que ele não fosse embora.


Enzo a conduziu até o seu quarto, onde havia um colchão no qual sempre dormiam os amigos que ele levava para dormir em sua casa e, enquanto ele organizava as cobertas para que ela pudesse se deitar, Frida indagou:


- Por que o Dan estava jantando com vocês hoje?
- Ah...- Enzo pensou bem antes de responder - ele estava aqui em casa desde que saímos da UFTU, então minha mãe convidou ele para jantar.
- Hum, entendi! Mas ele fica aqui com frequência?
- Frida, estás querendo perguntar alguma coisa específica? - disse Enzo percebendo o tom da conversa.
- Bem, não necessariamente, mas hoje a Juliana me disse que tem certeza de que o Dan está com outra pessoa, e ainda disse que saberias me contar mais a respeito disso. Então estou perguntando, sabes alguma coisa sobre a pessoa com quem ele está?
- Olha Frida, como eu já te disse, sou amigo dos dois, então não é justo que eu comente contigo algo que ele não te contou. Acho melhor que perguntes a ele ou descubras sozinha - ele não queria mentir pra amiga, mas não havia maneira de contar sobre o relacionamento com Daniel naquela noite - desculpa mesmo!
- Tudo bem Enzo, eu entendo o teu ponto de vista.
- Que bom! olha, eu tenho que descer e falar com o Daniel, porque acho que ele já deve estar indo embora. Se não estiveres dormindo quando eu voltar, a gente pode conversar sobre o que aconteceu na tua casa, se quiseres.
- Tá bom! vai lá.


Quando retornou à cozinha, Enzo não encontrou ninguém, então caminhou até a sala onde encontrou seus pais e Daniel, que ao vê-lo, prontamente, se levantou do sofá e se despediu de Maria e Roberto. Quando estavam na porta da casa, Enzo disse:


- Amor, eu sinto muito! Não queria te deixar sozinho e estragar nosso jantar, mas eu tinha que ajudar a Frida! - Ele estava aparentemente muito nervoso, tanto que falava apressadamente.
- Amor... - Daniel colocou a mão no ombro de Enzo - relaxa, o jantar foi ótimo e eu não estou chateado com você! Mas é melhor eu ir embora, porque está ficando tarde e você precisa ir conversar com a Frida. Amanhã a gente se vê!
- Tá bom amor! Obrigado por compreender - disse Enzo bem mais calmo - me liga antes de dormir!
- Pode deixar - Daniel se despediu com um abraço e um beijo na bochecha - te amo!


Depois disso, Enzo ainda parou na sala para dar mais explicações aos seus pais, que estavam preocupados com a situação criada pela chegada de Frida.

- Meu filho, quando vocês irão contar a verdade para ela? - disse Maria - afinal ela é sua amiga e merece saber a verdade. 
- Mãe...é complicado, a Frida ainda gosta do Daniel e eu não sei como ela vai reagir a isso. De qualquer modo, hoje não tem condições de contar a ela sobre isso, mas eu vou conversar com ele amanhã pra nós decidirmos como faremos isso.
- Boa sorte meu filho - disse Roberto - espero que dê tudo certo nesse processo, eu imagino como deve ser complicado.
- Muito obrigado pai! Me desculpem pelo transtorno e por fazer vocês simularem algo, eu sei que isso foi errado, mas eu não sabia o que fazer.
- Nós estendemos filho, não se preocupe - garantiu Maria - agora vá ver como está a menina.
- É verdade! Boa noite para vocês! - disse Enzo, enquanto se retirava da sala.


Quando chegou ao seu quarto, Enzo encontrou Frida deitada, envolta pelas cobertas, então achou que ela estivesse dormindo. Quase imediatamente, o seu celular tocou e ele viu que era Daniel ligando, então atendeu e conversou com ele por alguns instantes. Depois de terminar a conversa, Enzo foi escovar os dentes, alheio ao fato de que a amiga estava apenas deitada enquanto ele estava conversando com Daniel e de que ela pegara seu celular para ver a última ligação quando ele foi ao banheiro. Assim, quando ele voltou do banheiro, ela estava lhe esperando com o celular na mãe e uma pergunta:


- Enzo, por que a última ligação no teu celular é pro Daniel, sendo que estavas tratando essa pessoa por "amor"?
- Frida... - Enzo se viu em uma situação sem saída e estava muito nervoso - eu não sei o que te dizer...

- Podes começar me dizendo por que a Juliana me disse que viu o Daniel te beijando?
- Frida... - ele ainda não conseguia fizer nada, pois estava tudo ocorrendo exatamente como não queria.
- Enzo, eu não quis acreditar na Juliana, disse que ela estava mentindo! Mas essa ligação foi o suficiente para me mostrar que ela estava certa! O que está acontecendo? o Daniel é gay? por que me traístes dessa forma? há quanto tempo vocês vêm escondendo isso?
- Frida, não é como parece! - Enzo finalmente se pronunciou - sim, eu e o Daniel estamos juntos, desculpa não ter te contado, mas...
- Enzo... - Frida o interrompeu - quer saber, não me interessam as suas explicações! Independentemente de qualquer coisa, eras meu amigo e tinhas o dever de me contar sobre o que estava acontecendo, eu fiz papel de idiota nessa história!
- Me deixa explicar Frida....
- Não Enzo - ela estava irredutível - eu agradeceria muito se a gente pudesse simplesmente dormir, pois eu não tenho para onde ir hoje mesmo, mas eu não quero mais falar contigo! Nossa amizade acabou!


Enzo não conseguiu fazer Frida ouvi-lo, então resolveu deixá-la dormir, esperando que, no dia seguinte, ela fosse mais razoável com ele. Porém, quando acordou, Frida já tinha ido embora, deixando apenas um bilhete:

Enzo,
A nossa amizade acabou
Eu não consigo perdoar o fato de teres mentido pra mim da forma como fizestes.
Agradeço por teres me deixado dormir na tua casa, mas, por favor, não me procura mais, pois eu não quero conversar contigo, muito menos ouvir as suas explicações.


C
onforme Enzo lia o bilhete, uma sensação de mal-estar muito forte o dominou, pois ele acabara de perceber que, naquela situação, o confronto entre uma grande amizade e um grande amor tinha tido um perdedor: a amizade!